A ERA DA COMUNICAÇÃO IMEDIÁTICA - 'Media training' e coronavírus. Por Juliana Müller.

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Estive pensando sobre a relevância de comunicar bem qualquer informação, principalmente quando se é porta-voz de uma empresa, entidade ou governo. Aliás, tentando não me posicionar criticamente, no caso do nosso representante maior da democracia brasileira, sinto que a situação é alarmante. Como relações-públicas me pergunto até que ponto é legítimo o posicionamento de um governante sem um preparo comunicacional?

Sejamos sinceros, não só ele, mas quantos CEOs e gestores estão suscetíveis ao erro e à ‘vergonha alheia’ na hora de se manifestar publicamente? O processo de media training esteve bastante descrito nos últimos anos, se falou pouco, mesmo sendo necessário… mas nunca foi tão adequado retomar a reflexão e os ensinamentos.

Vamos relembrar, então, alguns preceitos básicos da preparação de porta-vozes, porque toda situação precisa ser comunicada com zelo e empatia:

1. Justamente sobre empatia, a base de tudo: se o porta-voz não transmite confiança, credibilidade e preocupação coletiva, não vai causar nenhum efeito positivo. Pelo contrário, o que soa como uma obrigação corre o risco de virar meme em vez de fonte segura.

2. Capacidade de improviso e raciocínio rápido: nem sempre o gestor é bom com as palavras, mas o media training não se resume a ensinar a ler um documento bem redigido. A preparação requer conversa, estudo das possíveis perguntas sobre o assunto, como sair de uma ‘saia-justa’ e manter a cordialidade.

3. Se expressar de forma natural: não tem nada mais chato do que perceber que o interlocutor da mensagem não está à vontade fazendo aquilo. Isso fragiliza o profissional e a organização. O ideal é que se treine, além da boa fala e articulação, a postura. É preciso transparecer segurança e certeza. Se nem ele mesmo consegue acreditar no que está falando, imagina o ouvinte…

4. Administração de tempo: um bom porta-voz não sai fazendo pronunciamentos sem ter antes um embasamento e o aval da gestão da organização (caso não seja a mesma pessoa). Não dá para ficar esperando o tempo passar e deixar que todas as outras empresas façam isso primeiro, mas também é necessário ter cautela para entrar no ‘tempo’ certo.

5. Profissional especializado: o trabalho de media training requer estudo e permanência. Nem sempre o empresário sabe articular as melhores palavras para se posicionar publicamente e trabalhar essa postura por meio de um profissional adequado é condição obrigatória para uma fala de sucesso. Salvo as exceções em que o ‘líder maior’ se nega a ouvir seus aliados e assessores.

Enfim, a tarefa não é fácil, é preciso ser humilde e reconhecer que há excelentes profissionais que podem garantir uma boa postura organizacional através de um bom texto ou fala. Na dúvida, permaneça em silêncio. Melhor parecer que está se isentando da opinião do que ‘queimar o filme’ de 30 anos de construção de marca em 30 segundos de postura inadequada. O público e a internet não perdoam.

Juliana Müller é relações-públicas, presidente da Associação Brasileira de Relações Públicas, coordenadora de Comunicação e Eventos da Câmara Brasil-Alemanha no Rio Grande do Sul, e uma defensora dos eventos corporativos como ferramenta de comunicação estratégica.

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