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Um gol, muitos gols.

A entrada do FBI americano nas investigações sobre corrupção no futebol muda a regra do jogo: deixa de funcionar a Bancada da Bola, perde efeito o relacionamento internacional bem cultivado, favor prestado não tem mais validade. Se os personagens presos são ou não culpados, a Justiça americana decide. Mas:

1 – José Maria Marin, segundo as investigações, teria cobrado propinas nos contratos da CBF. Quem pode ter pago propinas? Patrocinadores da Seleção, talvez; ou concorrentes à compra dos direitos de transmissão. Quem patrocina a Seleção, e quem a patrocinou nos últimos anos? Quem ganhou o direito de transmitir os jogos? Quais empresas firmaram contratos de exclusividade com a CBF?

2 – Quando o Brasil ganhou a Copa de 1994, nos EUA, a delegação trouxe 11 toneladas de compras. O secretário da Receita, Osíris Lopes Silva, mandou que as bagagens passassem pela Alfândega. O presidente era Itamar Franco, e Osíris caiu. Quando Ronaldo Fenômeno teve aquele problema na Copa da França, em 1998, já se falava na interferência da Nike na CBF. O presidente era Fernando Henrique. Quando o Brasil ganhou o direito de realizar a Copa de 2014, o presidente era Lula. Ninguém investigou; se investigou, não contou para ninguém. A imprensa paulista foi acusada por Ricardo Teixeira de persegui-lo, só porque andou narrando algumas coisas, que as autoridades não levaram em conta. E como havia gente importante do Judiciário viajando a convite da CBF, com tudo pago!

Agora a bomba explodiu. E vai pegar gente hoje acima de qualquer suspeita.

Quem sabe sabe

Os investigadores americanos tiveram também o apoio decisivo das informações do empresário brasileiro J. Hawilla, dono de uma rede de televisão (a TV Tem) que retransmite a Globo no Interior paulista. Hawilla foi preso e fez delação premiada. Comprometeu-se a devolver aos americanos uns US$ 175 milhões. Meio bilhão de reais. Já pagou a primeira prestação, de US$ 25 milhões.

Lá e cá

J. Hawilla foi preso nos EUA no segundo semestre do ano passado. Alguém soube? Fez o acordo de delação premiada e contou muita coisa (e não deve ter sido o único). Só agora ficamos sabendo – após as prisões.

Estardalhaço serve apenas para afugentar a presa. Na Suíça, prisão não é ponto turístico. Portanto, ninguém divulga onde está localizada (nem se os demais detentos estão nela ou em outras instituições). Sabe-se que Marin é bem tratado, está preso numa cela com banheiro normal, não precisa fazer acrobacias para usar a privada, tem assistência médica e jurídica. Está mais bem alojado do que em qualquer prisão brasileira. E, caro leitor, de onde é mais provável que não tenha chance de escapar?

Chuva de óleo

Americano ainda não dá muita importância ao futebol. A ladroeira na FIFA tem contato apenas superficial com os Estados Unidos: instituições financeiras americanas foram usadas na manipulação irregular de dinheiro, algumas firmas de lá pagaram propina no Exterior. Já o caso da Petrobras, também sob investigação naquelas bandas, bate em cheio nos americanos: a refinaria de Pasadena é lá, os papéis da empresa são negociados nas bolsas dos EUA, milhares de pessoas puseram suas economias em fundos que compraram Petrobras (e que, graças aos problemas da estatal, renderam muito menos do que poderiam). A investigação e a Justiça são mais eficientes que as nossas.

Os prejudicados farão pressão. E as petroleiras americanas – neste setor ninguém é bonzinho: todos jogam pesadíssimo – não perderão essa ótima possibilidade de atrapalhar a concorrente.

Joaquim Barbosa, mais doutor

O ministro aposentado do Supremo Joaquim Barbosa recebe hoje, em Israel, o título de doutor honoris causa da Universidade Hebraica de Jerusalém, uma das cem melhores do mundo. No programa, além da honraria, há palestras, inauguração do novo prédio do Instituto Avançado de Humanidades, visita a locais históricos e encontro com o presidente de Israel, Reuven Rivlin.

Entre as personalidades internacionais que receberam o título de doutor honoris causa da Universidade Hebraica de Jerusalém estão Bill Clinton e o filósofo Jean Paul Sartre.

Sou, mas não sou

Lembra de Gim Argello, que foi senador pelo PTB do Distrito Federal? Aquele que fez questão de morar na área de mansões de ministros de Brasília para poder encontrar-se por acaso com a candidata Dilma Rousseff e praticar suas caminhadas ao lado dela? Sim, esse! Ele mesmo: apadrinhado por Dilma e Renan, foi nomeado para o Tribunal de Contas da União e desistiu ao ser informado de que os demais ministros não lhe dariam posse nem que a vaca resolvesse tossir.

Pois Gim Argello não existe mais. Nem há referências a Gim Argello no Senado. Gim voltou a chamar-se Jorge Argello, seu nome original. Em 26 de dezembro de 2014, quando terminava seu mandato, requereu ao presidente do Senado, Renan Calheiros que seu apelido político se evaporasse. Foi atendido em poucos dias. Por que? Justo ele, o vice-presidente da CPI da Petrobras, do ano passado, aquela que não chegou a conclusão nenhuma, lavou seu nome a jato?

Enfim, felizmente, Gim Argello não morreu. Está mais vivo do que nunca.

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