Publicidade cresceu quase 7% no Brasil em 2013. Setor movimentou R$ 47,9 bilhões no ano passado.

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Deu n’O Globo (P. 17) de 24/02/2014:

Mesmo com a economia crescendo menos do que se esperava e o impacto das manifestações de junho e julho no planejamento das empresas, o mercado publicitário brasileiro movimentou R$ 47,9 bilhões em 2013, avanço de 6,81% em relação ao ano anterior. O ritmo dos investimentos em propaganda acelerou-se ligeiramente em relação a 2012, quando o bolo publicitário crescera 5,9% na comparação anual. Em razão dos altos e baixos dos negócios no ano, o resultado foi comemorado pelos executivos do setor.

– Tivemos um fim de ano muito bom, com um crescimento de 14,3% nos negócios em relação ao mesmo período de 2012. O que nos deixa animados para este ano – diz Marcelo Salles Gomes, vice-presidente do grupo Meio & Mensagem, que coordena o Projeto Inter-Meios, responsável pela compilação dos valores movimentados pelo mercado, com auditoria da PriceWaterhouseCoopers (PwC).

Gomes lembra que, entre janeiro e abril do ano passado, as agências viram os investimentos dos anunciantes encolher 0,6%. E quando os negócios começaram a esquentar, vieram as manifestações. Em agosto, o mercado chegou a recuar 0,2%, embalando nos últimos meses do ano. Embora reconheça que o cenário para o segundo semestre é ainda “um ponto de interrogação”, o executivo projeta expansão de 9% para o mercado.

– É um número bom, principalmente porque as expectativas para o PIB são sempre para baixo. Mas por outro lado este é um ano de Copa do Mundo, e aqui no Brasil. A nossa expectativa é de que teremos um primeiro semestre muito bom, que já vem embalado do final do ano – observa Salles Gomes.

Apesar do resultado melhor, quando se considera a inflação, que foi de 5,91% no ano passado, o setor fica com um crescimento real bem modesto de menos de 1% depois de ficar estagnado em 2012.

– O que sempre esperamos é que a economia volta a crescer 3,5%, 4%, pois a publicidade depende do consumo e da confiança dos empresários, que quando estão confiantes investem mais em comunicação. O mercado está pronto para crescer, basta a economia deslanchar.

Como acontecera no ano anterior, as incertezas sobre a dinâmica da economia levaram os anunciantes a dar preferência a ações para alavancar vendas, o que beneficiou as TVs abertas, que faturaram R$ 21,4 bilhões com a venda de espaço em suas programações, cifra 9,8% maior que a registrada em 2012.

A maior penetração das TVs por assinatura, beneficiada pela ascensão da nova classe média, fez os anúncios nessa mídia crescer 10%, atingindo R$ 1,57 bilhão. As emissoras de rádio também tiveram um bom ano, com receitas com anunciantes crescendo 10,45%, para R$ 1,3 bilhão.

Os jornais impressos continuaram com a segunda maior fatia dos investimentos em mídia, com receitas publicitárias de R$ 3,26 bilhões, valor 3,76% menor que o de 2012. O faturamento das revistas caiu 7,55%, para R$ 1,77 bilhão.

– No segundo semestre os veículos impressos melhoraram as receitas e devem ter um ano bem melhor – prevê Gomes.

Encolheram também em 2013 os investimentos na internet, que chegaram a R$ 1,51 bilhão em 2012, e ficaram em R$ 1,43 bilhão ano passado. Mas vale ressaltar que os dados compilados pelo Projeto Inter-Meios não consideram as receitas de gigantes como Google e Facebook. Especializado em Mídias Digitais, o International Advertising Bureau (IAB Brasil) dispõe de metodologia de apuração que inclui Google e Facebook, que resulta numa enorme discrepância com o M&M.

Com base em números apurados até novembro, o IAB Brasil estima que a publicidade on-line na internet brasileira atingiu em 2013 a marca de R$ 6,o2 bilhões, com crescimento de 32% sobre os R$ 4,57 bilhões do ano anterior.

– A internet, pela ausência dessas duas empresas, é a mídia em que o Projeto Inter-Meios tem menos representatividade – reconhece Gomes.

A matéria é de Ronaldo D’Ercole.

COMENTÁRIO

Para quem acredita em “novo mercado”, “novas classes médias”, economia concorrencial na mídia do Brasil, Papai Noel e coelhinho da Páscoa… o levantamento da Meio & Mensagem está “ótimo”!

Só faltou o Projeto Inter-Meios contar para os leitores, ouvintes, telespectadores, cinéfilos e internautas, quanto do faturamento total ficou nas mãos do – único – grupo “líder ‘latifundiário’ de audiência” do país. Considerando a não dimensionada internet (!) mais a TV (aberta e fechada), os jornais, as revistas, as rádios e o cinema (por que não?), acreditamos que se chega a 60% de todo o “bolo” publicitário brasileiro, número que, sob a ótica de certos juízes da Suprema Corte dos Estados Unidos, caracteriza… MONOPÓLIO.

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