Cultura de doação - algo de que o Brasil muito se beneficiaria.

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Deu n’O Globo de 08/12/2013 (à página 53):

Nos EUA, cada lar doa, em média, US$ 1,2 mil.

O que move as pessoas a fazerem doações ou a se envolverem em trabalho voluntário nos Estados Unidos? Os motivos não são triviais ainda mais se tratando de um país que está no topo mundial das doações vindas de famílias. Em média, cada lar americano gasta US$ 1.200 por ano com doações para ONGs, instituições religiosas e fundações, além de o equivalente a US$ 700 em horas trabalhadas com voluntariado.

A economista brasileira Priscila Zeraik, da Universidade de Toulouse I, há anos se dedica a estudar o tema. Ela usou dados de pesquisas domiciliares (nas quais as mesmas famílias são entrevistadas várias vezes durante anos) e as regras para cálculos de impostos e deduções fiscais federais e estaduais e descobriu que apenas 9,5% dos US$ 303 bilhões são recebidos de volta como abatimento de impostos.

– No caso de doações, as principais razões são não pecuniárias, mas isso não significa que altruísmo seja a principal explicação. Pode ser uma combinação de altruísmo, mas também de pressão do grupo e admiração social, algo como ser reconhecido por amigos, vizinhos e a sociedade em geral – afirma.

Já o trabalho voluntário tem retorno mais tangível. Segundo o estudo, 21% das horas trabalhadas são compensadas pela alta posterior de salários. (Clarice Spitz).

COMENTÁRIO

Como uma espécie de contraponto, neste dezembro de 2013 os números do Ministério da Cultura apontaram que, em 2012, apenas 2% da renúncia fiscal do imposto de renda foram aplicados na cultura (via Lei Rouanet) por pessoas físicas. Os 98% restantes o foram pelas empresas – os nossos “mecenas” verde-amarelos.