Redes sociais, psicanálise e posicionamento.

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Um lugar onde você faz o que quer, na hora que quer, da forma que quiser. Desconta suas angústias, se vangloria, mostra aquilo que não é, sendo, nada mais, nada menos, do que a realização dos desejos infantis. Assim somos nós nas redes sociais. É comum vermos o comportamento irracional nas redes, como se fôssemos crianças que dizem ‘eu corro’ e a outra retruca, ‘eu corro mais’. Não há uma racionalidade ou lógica, tudo se resolve de forma infantil.

Criamos uma possibilidade de demonstrar toda nossa incoerência de forma aceitável.

Digo isso, pois, na teoria psicanalítica, sempre que nos deparamos com impasses ou quando precisamos agir, temos como base nossa infância e a forma como resolvemos esses problemas do cotidiano é influenciada por esse período de vida. Quando surgem grandes conflitos, e não sabemos lidar com eles, é que a personalidade mais infantil aflora. Nesse momento se originam as discussões, as ofensas, os gritos, e nas redes não seria diferente. Já repararam que quando alguém está bravo escreve em caixa alta, PARECE QUE QUER SE FAZER OUVIR POR TODOS, porque quando a gente grita, fala mais alto, maior, e escrever ‘pequeno’ não representa esse estado momentâneo. Muitas vezes repete, constantemente, em diversas publicações sua indignação, como alguém que não para de falar quando está tomado pela força de um Pinscher, ódio e tremedeira.

Não muito diferente, o posicionamento das empresas acontece da mesma maneira, porque elas são geridas por pessoas, que imprimem sua personalidade nos conteúdos que produzem.  Tem empresa que vive a felicidade como se estivesse drogada, outras como se tudo fosse uma praticidade só, resolvendo tudo em um clique, e essas são muitas. Em um toque a comida, o carro, o produto que comprou na internet, a roupa, o sapato, o dinheiro; logo deve surgir um app funerário, em um clique a morte está resolvida.

Conceitualmente isso é perfeito, mas na vida real não funciona assim. Porque a felicidade não vem na hora que você precisa, a comida chega misturada e fria, o carro não te aceita ou não passa no lugar que você vai, a roupa é pequena, o sapato é grande demais, o dinheiro não foi autorizado… Por aí vai.

Se sua empresa promete resolver os problemas do mundo de forma infantil, saiba que quando você não conseguir, terá uma criança mimada à sua espera. E ela vai chorar, gritar, vai ficar traumatizada e vai te odiar para o resto da vida. Na primeira oportunidade ela vai jogar isso na sua cara, ou melhor, no ‘reclame-aqui’, mas no final, para não parecer tão infantil, ela vai dizer ‘eu estou pagando’, o ápice do absurdo. Portanto, não venda o mundo da forma que ele não é, pois você será cobrado daquilo que não faz.

O objetivo das redes sociais é se relacionar, estreitar os laços, estar próximo das pessoas, ouvir o que elas têm a dizer, influenciar comportamentos de forma positiva, e real. Não há a necessidade de dizer a todo instante que você é bom; as pessoas vão te reconhecer se você fizer da vida delas algo melhor.

Utilize as redes para criar oportunidades, está aí a Netflix que não nos deixa mentir. O modelo dá certo. É benchmarking dos melhores que existem. Aliás, o Instagram partiu nosso coração, será que estamos prontos para essa desilusão?

Gustavo Costa é relações-públicas e desenvolve trabalhos de comunicação com empresas em São Paulo. Em 2018 ganhou o Prêmio Universitário Aberje com planejamento estratégico para a Sabesp, além de produção científica sobre Ética, Reputação e Posicionamento no Supremo Tribunal Federal sobre a ótica das Relações Públicas, que, em breve, será publicada.