Por uma revolução analógica - parte 2 - Oração ao consultor de comunicação.

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Política e Economia como frenético entretenimento? Um repto!

Quando se alcunhou a imprensa como ‘quarto poder’ vivíamos o auge da mídia impressa. Os jornais formavam opinião. Naturalmente, sempre circunscrita – esta opinião – a uma elite leitora, minoria absoluta no caso do Brasil.

No país – de antes das redes digitais -, somando-se a circulação de todos os jornais impressos, não se chegava a 2% da população. Talvez 3% da população economicamente ativa (PEA). E isto só piorou de lá para cá.

A TV, com um alcance exponencialmente maior, perdia em aprofundamento das notícias – com as saudáveis exceções da TV por assinatura. E o rádio sempre esteve – e continua – lá, bastante rápido no gatilho da informação… (Lembrando que o Brasil é o último – e único – país do mundo em que 60% do ‘bolo publicitário’ ainda vai para o meio TV – aberta e por assinatura).

Com a internet, seus portais de conteúdo gratuito, YouTube e redes sociais, vive-se – ainda – em permanente estado de revolução digital. Os players do mercado brasileiro da propaganda andam desnorteados. A Babel virtual instalou-se para nunca mais nos deixar dormir ou descansar de sua garganta profunda de ‘conteúdos’.

A entropia – o caos – sempre existiu, mas este era um fenômeno físico. E, com algum esforço, conseguia-se colocar ordem, ordenar coisas. Mesmo que por pouco tempo – uma semana, um ano, meio-século.

Já na infosfera, ordenar coisas parece uma tarefa impossível. Típico trabalho de Sísifo para jornalistas profissionais; organizar pautas, pesquisar, construir um discurso com sentido, enviar repórteres, checar, redigir, editar, transmitir. Sempre enxugando gelo em relação aos fatos – inexoravelmente acelerados.

O que ontem era ‘de esquerda’ tornou-se ‘de direita’, os políticos vêm mudando de ideia (e partido) como de gravata, governos mentem e as empresas continuam falseando informações. Dureza.

A era da curadoria.

A solitária certeza é o indivíduo e sua capacidade única de perceber e de processar. Inteligência natural – muito anterior e muito além da artificial.

É urgente fugir do jargão que hoje vem empacotando o pensamento. Escapar de ‘memes’ como os enfileirados big data, internet-das-coisas, blockchain, A.I., T.I., 3D, 5G… repetidos ad nauseam. É urgente silenciar. Em silêncio pensa-se melhor.

Focar no humano – eis do que mais precisamos! Agora. Já. Urgentemente!

Uma revolução, sim. Mas analógica. Privilegiando a palavra, a alteridade, e a escuta atenta.

Escolher, optar, desligar alguns canais. Cuidar. Curar. Por você. Para você. Por seu cliente.

É possível. Ao menos, tente.

(R)evolua.

Uma resposta para “Por uma revolução analógica – parte 2 – Oração ao consultor de comunicação.”

  1. Deborah do Carmo Sousa disse:

    Excelente reflexão, vem ao encontro do texto que comecei a escrever….rs
    A impressão é que chegamos ao nosso limite, agora, precisamos retroceder…
    Já estou desligando alguns canais, em busca de sanidade!

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