Overthinking: paralisado com tanta informação e cabeça a mil? Por Marina Boldrim.

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93%. Este é o número percentual estimado de ações que tomamos em nosso dia utilizando recursos emocionais, de acordo com dado apresentado em workshop realizado pelo Instituto Brasileiro de Coaching (IBC). Recursos estes que podem ser influenciados por padrões negativos que carregamos desde a infância, muitas vezes de maneira inconsciente. Afinal, quem nunca ouviu, explicou ou reclamou de não ser ou ter o suficiente?

‘Eu não sou bonita, magra, inteligente, bem-sucedida, segura ou perfeita o suficiente’. ‘Eu não tenho dinheiro, conhecimento, talentos, tempo ou relacionamentos bons o suficiente’. E tantos outros exemplos que nos remetem a uma cultura de escassez, caracterizada por sentimentos de inadequação ou falta, conforme retratado pela pesquisadora e autora Brené Brown em seu livro
‘A coragem de ser imperfeito’. Aliada a esta cultura, está um contexto complexo com bombardeios diários de informações e estímulos, transformações diversas no mercado de trabalho, maior velocidade, pressões para sermos cada vez mais produtivos, desemprego e novas tecnologias, que por vezes substituem ou ameaçam substituir a mão de obra humana em algumas áreas. E não se perceber como um funcionário bom, engajado ou competente o suficiente pode contribuir para aumentar a ansiedade, por vezes levando ao overthinking.

Na prática, ninguém quer errar. E o medo de falhar, de ser ridicularizado ou de se sentir envergonhado pode transformar os pensamentos em um espiral negativo, frequentemente consumido por situações ruins e erros passados ou preocupações excessivas com o futuro. Pensamentos constantes de ‘eu não devia ter dito aquilo para meu chefe ou companheiro de trabalho’, ‘eu devia ter
permanecido no meu emprego antigo’, bem como ‘eu nunca serei promovida’ podem ser paralisantes.

Embora o cérebro possa estar escondido sob o pretexto de reflexões úteis, este padrão vicioso não traz novos insights ou ações efetivas, uma vez que o foco está no problema e nunca na solução. Sendo assim, em vez de atuar em nosso favor, o pensamento acelerado pode reforçar a procrastinação, a perda da vivência do momento presente e por vezes até o surgimento de
doenças psicológicas associadas à ansiedade e ao estresse.

Para combatê-lo, alguns passos podem ser de grande valia:

1) Auto avaliação, empatia e reconhecimento dos padrões negativos;
2) Pensamento positivo e criação de novos padrões de pensamento;
3) Foco na solução e não no problema;
4) Contato com a natureza, meditação ou prática de esportes;
5) Definição de um tempo limite para respostas e ações.

Lembre-se de que o feito pode ser melhor do que o perfeito jamais realizado.

Marina Boldrim é publicitária (USP) e especialista em Gestão de Comunicação e Marketing (USP) & Marketing Intelligence (Universidade NOVA de Lisboa). Atua na área de business intelligence e se interessa por temas de performance e comportamento. Contato: marina.boldrim@gmail.com

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