A outra face da medalha da ética é a transparência. E andamos carentes de ambas as faces.

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O Globo publicou, anteontem, que o Brasil atual precisa da ‘perestroika’ soviética de três décadas atrás. Acrescentaríamos à, sim, necessária ‘perestroika’ – abertura – a sua irmã siamesa balzaquiana, ‘glasnost’ – transparência.

Tudo anda errado no país. Parece o genuíno ‘pau que nasceu torto’ – destinado a morrer tortinho da Silva. Como disse alguém da operação Lava-Jato; ‘puxa-se uma pena e vem um galinha’. Completamos: corre-se atrás de uma galinha no terreiro e se encontra… uma granja inteira!

À fatalidade da queda de um helicóptero soma-se que não era autorizado ao transporte de passageiros.

À brutalidade da morte de dez garotos soma-se a irresponsabilidade do clube que agora chora e recebe apoios de ‘força à nação’.

À irresponsabilidade para com 310 vidas – entre mortos e desaparecidos no crime da barragem – soma-se incúria, descaso, má-fé e… propaganda.

Parem o trem porque queremos todos descer! Talvez esperando, num descampado, sem socorros VIP e outros nem tanto, a gente descubra uma outra forma de seguir juntos.

2 respostas para “A outra face da medalha da ética é a transparência. E andamos carentes de ambas as faces.”

  1. silvia liberatore disse:

    Prezado Marcondes, ler os textos aqui publicados fazem muito bem ao profissional responsável.
    E quando falo responsável, falo daqueles profissionais que olham para o esforço de salvar a “imagem” do Clube (e outras organizações, em situações semelhantes) e, de certa forma, lamentam pela atividade que abraçaram…
    Sim, salvar a imagem não significa fortalecer o conceito.
    Como guardiões de jovens talentos, o conceito já se foi há muito tempo, só não estava escancarado.
    Mas não é o meu tema agora.
    Por hora, quero falar da previsível e inevitável decepção com a indução ao raciocínio que o Clube deve merecer a intenção de “força”, mantendo os mesmos “idealistas” administradores…
    A dor imensa na final do Campeonato, cujo título será – inevitavelmente – dedicado aos meninos imolados em sacrifício.
    Naquele momento é que serão enterrados, não sepultados, enterrados mesmo, para que deixem de vagar como fantasmas nos lembrando do crime e dos muitos crimes cometidos diariamente.
    Espero que seu sacrifício não sejam em vão, e que as vistorias e cuidados deflagrados agora, não sejam esquecidos nos próximos dias ou logo mais, ao final do Campeonato.
    A espiritualidade nos diz que a morte dos 10 meninos – e o numero é significativo – tem um sentido maior então vamos, como seres humanos, pais e cuidadores de corpos e almas, além de profissionais da responsabilidade da comunicação (isto é Relações Públicas), impedir que sejam assassinados uma segunda vez…

    • Caríssima Silvia Liberatore, colega professora e colega RP, seu texto tinha que saltar de comentário para postagem principal. Análise como a sua vai além da inteligência emocional da moda e chega ao nível do virtual (não-digital) e do espiritual – categorias escassas senão extintas em nossos meios acadêmico e ‘midiático’. Gratíssimo pela atenção e presença nas nossas mal traçadas ‘pages’. Manoel Marcondes Neto.

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