Os hematomas da alma. Por Maeve Phaira.

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Se existe uma coisa insuportável é quando uma pessoa, do nada, agride outra.

Só p’ra treinar a sua incompetência, a sua maldade, seja lá o que for.

E às vezes vem de quem a gente não espera, dói mais ainda.

Nesses tempos tão complicados, em que somos obrigados a permanecer onde estamos, e com quem estamos, é preciso ter cautela.

Não vou tratar das agressões físicas, dos assassinatos, quero falar sobre algo mais sútil, no entanto, tão maléfico como um soco na rosto.

São as facadas invisíveis, ninguém vê, porque geralmente são dadas entre quatro paredes. Elas também não fazem sujeira, não têm sangue, são poucos os indícios, não atingem corpos, apenas as nossas almas. Mas elas são cruéis, e certeiras.

São as agressões morais. Elas também matam!

E quando a alma dói, todo o resto dói.

Nunca foi tão importante saber quem está do nosso lado, por vezes, não temos ideia. Nossos escapes foram todos encerrados. É preciso encarar o que temos nas nossas vidas.

Sempre teremos a oportunidade de mudar o que não aceitamos mais, de dobrar a esquina, de virar a vida do avesso, de sair das nossas varandas, e de abandonar os nossos falsos jardins.

Precisamos seguir o caminho das flores, mas não as de plástico – que parecem perfeitas, mas são falsas -, tampouco o das pedras.

Imagem: Google.

Maeve Phaira, autora do livro Outono em Copacabana.