O que comunicação tem a ver com violência doméstica contra a mulher? Por Ticiana Oppel.

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A resposta é tudo. Desde o início da pandemia da Covid-19, temos presenciado o aumento da ocupação do assunto violência doméstica contra a mulher no espaço midiático. Este fato, infelizmente, foi imposto pelo crescimento do número de casos no Brasil e em outros países do mundo. Apenas no acompanhamento dos registros do serviço Ligue 180, que é a Central de Atendimento à Mulher em situação de violência e opera em todo país, o número de denúncias aumentou 27% nos meses de março e abril em comparação com 2019.

Por outro lado, podemos destacar um fenômeno que tem agregado aspecto positivo ao sério problema de saúde pública, considerado pela Organização da Nações Unidas (ONU) – uma pandemia crescente contra as mulheres. As pessoas estão falando mais sobre o tema e isto, em certa medida, contribui para que os casos saiam da sombra, que as mulheres identifiquem com maior facilidade um relacionamento abusivo, tenham clareza da existência do ciclo da violência e conheçam os mecanismos disponíveis para combate.

A violência doméstica contra a mulher é um problema estrutural diretamente relacionado à cultura do patriarcado e que tem como pano de fundo o machismo na sociedade. Sob este viés, a luta contra este tipo de violência passa pela urgência de discutir a sociedade igualitária na questão dos gêneros. Inclusive diante do recorte de impacto na economia global, faz-se premente a necessidade de equalizar direitos de cerca de metade da população.

Ao longo de 2020, novas inciativas surgiram com objetivo de amplificar o suporte e abordar o tema de maneira adequada. Manuais compartilham boas práticas para cobertura jornalística da violência contra mulher, empresas se aliam em prol do fomento de ações para combater o problema. Sob o holofote da mídia, que tem o papel de relatar casos e indicadores, a questão se apresenta de forma democrática. Não escolhe raça, cor, credo, nível de escolaridade ou situação socioeconômica. Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2020, a cada dois minutos uma mulher sofre violência física no Brasil. E violência física é apenas um dos tipos de violência, já que, segundo o Instituto Maria da Penha, a violência doméstica pode ser também de natureza psicológica, moral, patrimonial e sexual.

Os meios de comunicação têm um peso importantíssimo no que se refere à luta contra a violência doméstica sobre a mulher. Não só em função da necessidade de divulgar dados e fatos, mas também como poderoso instrumento de conscientização e esclarecimento da sociedade a respeito do problema.

Ticiana Oppel é RP com duas décadas de atuação no mercado. Sócia da 2 Baianas Produtora. Geminiana, mãe e empreendedora, acredita na economia criativa e na colaboração para o desenvolvimento de novos projetos, ideias e soluções.