O papel da comunicação na satisfação dos colaboradores. Por Ana Flávia Tolentino Tornelli.

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76% dos brasileiros estão insatisfeitos no trabalho de acordo com pesquisa realizada pela Pearson, empresa global de educação. O número é alarmante e retrata a importância de as organizações atentarem às necessidades e dores de seus colaboradores caso queiram reter os talentos. Este artigo propõe discutir a responsabilidade da comunicação interna neste contexto e de que forma a área pode contribuir para o engajamento e satisfação do público interno.

É sabido que, mais do que nunca, pessoas buscam trabalhar em empresas cujos valores estejam alinhados aos seus propósitos pessoais. Isso significa que organizações comprometidas com as questões sociais, ambientais e pautadas em processos éticos e transparentes – e aqui entra a importância da adequação às diretrizes ESG (environmental, social e governance) – atrairão não apenas investidores, como profissionais interessados nas mesmas causas.

Se antes as gerações babyboomer e X priorizavam a estabilidade e a segurança no trabalho, hoje, a visão disruptiva das gerações Y e Z indica que outros atributos passaram a ser mais valorizados. Embora um bom salário, bônus e benefícios sejam fatores bastante atrativos, pertencer a uma organização que, de fato, se envolve com as questões da sociedade se tornou o objetivo de muitos profissionais. E engana-se quem pensa que se engajar a problemas sociais é uma responsabilidade exclusiva das grandes companhias. Qualquer empresa, por menor que seja, pode e deve adotar práticas aliadas à sustentabilidade e ao desenvolvimento das comunidades. Assim como os consumidores estão cada vez mais exigentes e atentos ao comportamento das marcas, os colaboradores também passaram a selecionar as empresas às quais desejam pertencer.

E para que o público interno tenha acesso às práticas sociais e de sustentabilidade da companhia, é preciso que haja uma comunicação direta e transparente. Neste aspecto, os canais de comunicação interna cumprem papel fundamental, uma vez que, para o colaborador, ter acesso às informações – boas ou ruins – em primeira mão, e não por meio da imprensa, é essencial para que se estabeleça uma relação de confiança com a companhia.

Mas é preciso lembrar que esta comunicação não deve se dar de forma unilateral. Aquela comunicação que consiste apenas em entregar as mensagens já não tem mais espaço no universo corporativo. Os colaboradores querem e precisam ser ouvidos. Não por acaso o uso de plataformas que dão voz e espaço ao empregado, como o próprio workplace, tem crescido e se destacado nas organizações que entendem a importância de escutar seus colaboradores, suas necessidades e, a partir disso, propor melhorias e ajustes.

Sem dúvidas, uma série de fatores tem contribuído para a insatisfação dos colaboradores, sendo alguns deles extrínsecos à organização, mas entender a importância de manter uma comunicação transparente e dar oportunidade de fala às pessoas é um passo essencial para a construção de um ambiente organizacional verdadeiramente próspero e feliz.

Ana Flávia Tolentino Tornelli é graduada em Jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UNI-BH) e pós-graduada em Comunicação Estratégica nas Organizações pela PUC-Minas. Atua como redatora e assessora de imprensa de empresas de grande porte, produzindo conteúdos também destinados aos públicos interno e externo dessas organizações. Apaixonada por livros, pela escrita e uma eterna estudante da comunicação empresarial e seus efeitos na construção da imagem corporativa e fortalecimento da cultura organizacional.