O mundo parou! Lives e lives depois, como estamos? Por Laize Barros.

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Há sete meses atrás, quem ousaria ir contra os economistas quando afirmavam que o mundo não pode parar?

Alguns. Aqueles que já reconheciam que os recursos do mundo são finitos e foram chamados de loucos, dentre eles, ambientalistas, artistas, indígenas, ativistas e os intuitivos.

Em mim ressoa a frase de Ailton Krenak, a maior liderança indígena do Brasil, no brilhante artigo escrito nestes dias manchados de dor e cinismo – O amanhã não está à venda:

‘A Terra é uma só, a Natureza somos todos nós’.

Fiel à narrativa dos povos indígenas que nos emprestaram o Brasil para morarmos, Krenak questiona uma humanidade separada da Natureza.

Há uma Terra saudável para os homens e perversa para a Natureza?

A pandemia trouxe oportunidades para alguns de estar em silêncio com seu tempo interno. Uma pausa obrigatória para olharmos para dentro. Uma pausa para sermos mais e mais nós mesmos. Para fortificarmos o que de melhor temos e quiçá reunirmos forças para lidar com o que precisamos aprimorar em nós.

Porque ainda somos desiguais e desumanos e insistimos em nos colocar separados da Natureza, as desigualdades sociais ainda são chagas que foram escancaradas nesta pandemia e o mapa do contágio demonstra quem são os mais atingidos pelo vírus – pobres e pretos. Há bolhas de contaminação, pode?

Lavamos, limpamos, cozinhamos, lives e lives depois, como estamos?

Há os que leram os livros encostados num canto qualquer, os que meditaram, os que foram vergonhosamente demitidos na vigência do plano anti-demissional, os que se separaram porque a proximidade não suportou o desamor que já estava ali e não foi encarado porque o dia-dia escondeu, os que foram socorridos por estranhos, há os donos de negócios por entrega que cresceram e se multiplicaram.

Nesse retiro obrigatório, nos defrontamos com nossas vicissitudes.

Queríamos tanto ter tempo livre para colocar em dia muitas tarefas e pequenos desejos e, surpreendentemente, não o fizemos.

Por que?

Disseram alguns especialistas ‘psi’ que nossas mentes não ficaram vazias como supostamente se previu; cabeças cheias de medos e dúvidas sobre o futuro, louça se acumulando na pia, inundação de notícias avassaladoras, desgoverno e crise, rotinas modificadas sem aviso prévio.

Preenchidos pelo medo de tudo e todos, restou pouco vazio a ser preenchido.

Uma certa nostalgia do que não se fez ainda, faremos?

Uma certa saudade de lugares sonhados e visitados, voltaremos?

Um desencontro consigo imaginado melhor, haverá tempo para conserto?

Melhor ir assistir uma live

Sou Laize de Barros. Ajudo pessoas a criar futuros possíveis. Se você quer saber mais sobre como alinhar sua história de vida à criação de um projeto de vida e carreira, me procure para mentorias. Sou psicóloga e Mestre em Educação (USP), professora universitária e facilitadora certificada para uso de ferramentas de diálogo. Nas horas vagas, padeira e escritora de histórias de vida, as minhas e as que espio nas janelas da vida.