Just do it... later. Por Marina Boldrim.

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95%. Este é o percentual estimado da população em geral atingida de maneira crônica ou esporádica pela procrastinação, segundo o pesquisador americano T. J. Potts.

O número elevado pode causar espanto em um primeiro momento, mas quem nunca começou uma atividade pessoal ou profissional e parou para tomar café, ler alguma notícia, checar ou enviar mensagens em redes sociais, olhar vídeos ou conversar com algum colega antes de finalizá-la? Ou quem nunca adiou o início de uma dieta, a prática de exercícios físicos, a leitura de algum livro ou o aprendizado de um idioma estrangeiro, por exemplo?

A falsa segurança de que ‘ainda há muito tempo’, a preguiça em dar o primeiro passo e a possível desculpa de estar muito ocupado com outras prioridades podem mascarar o sentimento de que algumas tarefas são demasiadamente desinteressantes e provocam um estado de paralisia. No entanto, é importante lembrar que nem sempre procrastinamos por falta de motivação, o que faz necessário saber separar o joio do trigo.

Quem nunca sonhou em empreender ou quis ser mais criativo nos projetos pessoais ou profissionais? A motivação comumente está presente, mas o sentimento de que a tarefa é complexa demais ou de que não estamos reparados o suficiente – seja por falta de informação, clareza ou autoconfiança – nos impede de agir. A boa notícia é que, embora frequentemente associemos o termo a um comportamento negativo, alguns estudos tem demostrado que a procrastinação pode ser uma aliada em termos de criatividade. Afinal, quem nunca teve a experiência de deixar um problema ou uma tarefa de lado por um intervalo de tempo e depois chegar a uma solução ou ideia em um momento aparentemente aleatório, como em um encontro descontraído com amigos ou em uma pausa para o café, por exemplo? Seria apenas coincidência ou acaso? Claro que não.

A procrastinação pode auxiliar na maturação da ideia, em uma etapa do processo criativo denominada incubação. Conforme aprendemos com Steven Johnson, autor do livro ‘De onde vêm as boas ideias’, uma ideia é uma rede de conexões, e por vezes se faz necessário nos afastarmos do problema para que nosso cérebro ligue os pontos e combine conhecimentos diversos, conceitos e experiências de uma melhor forma. É por essa razão que entre um projeto e  outro pode ser interessante dar um intervalo para relaxar, espairecer e mudar o foco.

Segundo Adam Grant, autor do TED ‘Os hábitos surpreendentes dos pensadores originais’, enquanto procrastinamos e não concluímos uma tarefa, novas experiências, conhecimentos e referências vão sendo agregados e trabalhados no plano de fundo de nossa mente; o que pode abrir tempo para considerar ideias divergentes, pensar de formas não lineares e gerar novas combinações e insights sobre como realiza-las de forma mais original.

A ressalva necessária a ser feita é o cuidado para que a procrastinação não se perpetue para sempre ou por um período que seja superior a um prazo razoável. A linha que separa esta razoabilidade é tênue e pode variar de tarefa para tarefa, o que torna necessário usarmos o bom senso para definirmos um prazo máximo para tirá-la do papel.

Começar a atividade desejada o quanto antes, fazer mapas mentais ou escrever e pesquisar referências diversas sobre o tema e assuntos correlatos também podem ser dicas valiosas, já que a preparação antecede a fase de incubação. Novas informações e pensamentos podem servir como insumos para novas correlações e possibilidades em nosso cérebro, pois, conforme ensina Lavoisier, o acaso favorece as mentes preparadas.

Você tem alguma dica para lidar com a procrastinação e o processo criativo? Já teve sucesso ao postergar uma tarefa por um período de tempo? Compartilhe sua experiência aqui, no O.C.I.

Ilustração: Ewerton de Campos Silva.

Marina Boldrim é publicitária (USP) e especialista em Gestão de Comunicação e Marketing (USP) & Marketing Intelligence (Universidade NOVA de Lisboa). Atua na área de business intelligence e se interessa por temas de performance e comportamento. Contato: marina.boldrim@gmail.com

9 respostas para “Just do it… later. Por Marina Boldrim.”

  1. Ótima abordagem, Marina!!! Parabéns!!! Bjs

  2. Elias Barbieri disse:

    Parabéns Ma. Ótimo texto.

  3. Excelente reflexão, realmente não é usual pensarmos que a procrastinação em alguns casos pode trazer benefícios. Concordo que o desafio é entender o limite da linha “onde deixamos de fazer as coisas” e “o tempo necessário para fazer essas coisas, com qualidade”! Muito bom!!

  4. Fabio Henrique Rissi Nasareth disse:

    Parabéns Ma!! Belo texto! Uma ótima reflexão a todos!!

  5. Ewerton de Campos Silva disse:

    Formidável o seu pensamento Mari, adição da procrastinação, discretamente recôndita a pessoa possuir uma vida aprazível. Muitas vezes me reconheço em fazer parte casualmente dessa população atingida pela procrastinação. Quanta vezes comecei a me preparar para algum concursos entre tanto, no entanto por sentir segurança do edital que estaria distante de ser publicado acabava desistindo de me preparar na improcedente segurança que ainda havia tempo.

    A indicação que aqui venho partilhar para defrontar a procrastinação é granjear o decidido objetivo de determinar um delineamento dinâmico. Hoje antes de começar algo faço um planejamento para tomar uma ação e venho obtendo resultados surpreendentes.

    Gratífico por mais uma vez ser convidado por você para ilustrar mais um dos seus belíssimo trabalho. Parabéns!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
    Atenciosamente,
    Ewerton de Campos Silva

  6. Rodrigo Cabral disse:

    Muito bom quando alguém pensa fora da caixinha e nos dá de presente um ponto de vista totalmente diferente do lugar comum. Mesmo quando o assunto é tão próximo de nós. Afinal, quem nunca fez uma pausa para o cafezinho e depois percebeu que o trabalho ficou bem melhor do que antes? Costumava achar que era por causa no cafezinho. Agora entendo que na verdade é a procrastinação Inteligente. Excelente texto Ma! Aguardando ansiosamente pelo próximo.

  7. Marina Boldrim disse:

    Muito obrigada a todos pelos feedbacks e incentivo! Fiquei muito feliz com a contribuição de cada um. 🙂

  8. Maria Aparecida Malta disse:

    Muito bom o seu texto. E tão atual. Parabens, minha brilhante sobrinha!

  9. Claudio disse:

    Excelente texto. Concordo com seu ponto de vista sobre a maturação das ideias e tenho como boa prática sempre compartilhar dificuldades em tarefas que parecem difíceis… As vezes pessoas ao nosso redor trazem insights sobre soluções que até nos surpreendem.

    Obg por compartilhar esse conhecimento.

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