'Foi decisão do presidente... Ele acha que a discussão se tornou pública demais antes de passar por ele'.

Share Button

A frase proferida por Hamilton Mourão, vice-presidente no exercício da presidência da República durante a presente ausência hospitalar de Jair Bolsonaro, acerca do natimorto Imposto sobre Movimentação Financeira, dá conta de uma questão central que move este O.C.I. – na verdade uma de nossas causas fundadoras; a comunicação pública.

O que seria algo ‘público demais’?

Há gradação para a publicidade?

Existirá, de fato, meias-verdades?

Em tempos de falsas notícias (que é como preferimos verter o termo ‘fake news’), fatos alternativos e pós-verdades, a oportunidade de nossas causas se confirma. E isto – acredito eu – tem se traduzido na vinda recente de mais profissionais do Jornalismo para o corpo de articulistas e colunistas deste O.C.I. Nos últimos doze meses, passamos de 10 a 100 colaboradores voluntários. Gente que – em genuína transição de vida, na sua maioria – libertou-se do ambiente tóxico dos escritórios e redações ou passou a buscar em pós-graduações e mais estudo, a ampliação de seu olhar sobre o mundo, seu próprio papel nele, o trabalho e a política.

Verdades estabelecidas dissolvem-se. Sistemas desfuncionam de repente. Não se sabe para onde vai nos levar a disrupção, apesar da massa de ‘big data’ querer nos convencer que sabemos. Esquemas são vendidos e ensinados para ocupar o lugar de uma formação antes longa e ampla. Soluções pontuais ‘de software’ são acachapantes e colocam nossa inteligência ‘natural’ de joelhos diante da artificial – que povoa TODOS os comerciais de TV, boa parte dos textos jornalísticos, livros, cinema… e a conversa e-mediada nos ‘smartphones’.

Umberto Eco cravou – lá atrás – a dicotomia ‘apocalípticos VERSUS integrados’. Depois, lacrou, antes de morrer: ‘a internet deu voz aos idiotas’. Secundou nosso Nelson Rodrigues: ‘O grande acontecimento do século foi a ascensão espantosa e fulminante do idiota’. Os apocalípticos se integraram. E a idiotia veio para ficar.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *