Das cidades invisíveis. Onde a gente vive o que quiser viver. Por Maeve Phaira.

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Buenos Aires, Argentina. Eles dizem que a bola deles é melhor que a nossa. Eu tenho dúvidas. Não importa, é Buenos Aires. A gente esquece o futebol, releva, e mergulha nas livrarias, cafés, teatros e museus, eles no nosso mar. No final, tudo certo! E a paixão pela vida, aquela, aquela que move, argentinos e brasileiros, elimina qualquer diferença que exista entre nós.

Sempre que chego lá quero caminhar, sem parar. Depois, as livrarias, à noite, na saída do teatro, adoro. Impossível não comer carne, tomar vinho tinto, parar, e assistir a uma aula de tango. Carne, vinho, tango, Maradona, é Argentina!

Da última vez em que estive na cidade de Buenos Aires, arrisquei dançar. Perdi a hora, e quando sai de lá já era bem tarde, congelei. Mas tudo bem, o frio aquece a alma, e o vinho se encarrega de manter a temperatura do corpo. Valeu a pena enlaçar as pernas no tablado, se atirar nos braços do meu par, uma vez na vida, sentir o compasso, dois por quatro, nas veias, é Buenos Aires.

A tristeza parece dançar no tango, mas ele é mais do que isso: é drama, é paixão, é loucura, e mais a porção de sensualidade que cada um leva na bagagem. A submissão da mulher na dança não é imposta, vem através da conquista do homem, que a doma, naqueles instantes de olhares eternos.

Depois disso, só existe um destino em Buenos Aires, ‘Corrientes tres cuatro ocho, segundo piso, ascensor’. E tem que ser à média luz… Ah, saudades… Dos bons ares de Buenos Aires.

Adeus, Maradona! Resta a imagem sensacional da posse da bola nos pés do maior jogador de futebol da Argentina, seus dribles, seus passes, seu futebol show.

Um dia descobri que somos palavras… E que carregamos um dicionário dentro de nós. Maeve Phaira.