Crônica de uma festa chamada vida. Por Júlia Fernandes.

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Em live exibida no Instagram no dia 18, as escritoras Leila Ferreira e Martha Medeiros debateram a vida, a morte e a ressignificação do drama que tanto trazemos para as pequenas coisas do dia o dia (uma geladeira estragada pode ser um ‘pandemônio’, por exemplo). Em certa hora elas chegaram à conclusão de que ‘a vida é uma festa para a qual fomos convidados, um evento para poucos. E nesse contexto de que adianta criticar a roupa do outro, falar da vida alheia?’. Quer saber? Elas é que estão certas.

O clichê de que ‘a vida é um sopro’ nunca fez tanto sentido. As pessoas passaram a fazer planos sobre o que farão quando o isolamento acabar, embora ninguém saiba ao certo como será o ‘novo normal’. Mas, enquanto não há uma resolução sobre o futuro, por que não trazermos uma pitada de outros significados para amenizar os ânimos no momento em que vivemos?

A ocasião atual pede que façamos um ‘baile de máscaras’, seja com qual estampa for, desde que o tecido seja bem reforçado, seguindo a recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS) e as lives do biólogo Átila Iamarino (que pode ser aquele convidado realista, que chega para contar aquilo que as pessoas não esperavam ouvir).

É claro que em toda festa que se preze tem trilha sonora e a música fica a gosto do freguês, que escolhe o artista que quiser, ao vivo em sua live. Cada um, em sua cozinha, elabora o prato que pretende degustar. É a hora de mostrar o ‘mestre cuca’ que há escondido nesse profissional que comia no self-service perto de seu trabalho, na correria que antecedia ao atual “evento”.

E qual seria o teor das rodas de conversa? Com uma ajudinha da tecnologia, os assuntos são debatidos por vídeo e sempre tem aquela pessoa que comenta de um certo homem que atende pelo nome de Jair, metido a anfitrião, que anda fazendo reuniões na rua, aglomerando, recomendando ‘Tubaína’ e ‘Cloroquina’. Há quem diga que uma cerveja em casa e alguns coquetéis inventados já satisfazem a todos.

As festas costumam ser registradas, cada flash é um momento especial. Mas da maneira ‘diferenciada’ como elas vem acontecendo, como sobreviverão os colunistas sociais (aqueles tradicionais) e os influenciadores digitais que vivem de falar da própria vida (em viagens, passeios e festas) e do cotidiano das celebridades? O print da tela do celular se tornou o aliado de quem não liga para a qualidade da fotografia ou para a exibição e sim da diversão à distância com os amigos.

O que proponho aqui são apenas divagações. Mas é interessante trazer a reflexão para o futuro da produção de conteúdo, de um modo geral. Com a valorização da vida, da cooperação, da integração de pesquisadores na busca de uma vacina que combata a Covid-19, o que será despertado e o que as pessoas irão querer trazer para perto de si?

Qual será o ritmo que você vai dançar na sua própria festa?

Júlia Fernandes é formada em Comunicação Social pelo Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora (CES/JF), tem MBA em Marketing e Comunicação e especialização em Gestão Estratégica da Comunicação pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas). A autora tem experiência profissional – em âmbito público e privado – nos setores de comunicação institucional e marketing.

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