Comunicação institucional extraoficial - ou vale censura no grupo do 'zap'?

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Prezados leitores, mais uma vez me desculpo pela falta de assiduidade em colaborar com este nobre espaço em que defendemos causas tão cruciais para o fortalecimento da nossa democracia.

Em minha defesa, o fato de eu ter passado recentemente por uma transição de carreira, fazendo agora parte também das fileiras de trabalhadores da educação, em uma escola municipal.

Este texto é uma crônica de um acontecimento que envolve a comunicação, e espero que vocês me ajudem a compreender os limites da comunicação institucional a partir da minha narrativa.

Quinze dias depois de assumir meu cargo na escola, fui adicionada ao grupo de ‘zap’ extraoficial dos funcionários da escola. Coincidiu ser uma sexta-feira, e dia de pagamento. Alguns funcionários lamentavam o fato de algum de seus benefícios não terem sido computados e eu, procurando ser solidária, enviei uma figurinha/meme, com o Karl Marx descendo um arco-íris e que dizia “Bom dia meu proletariado!”.

Fui bombardeada com mensagens que diziam estar terminantemente proibido no grupo qualquer referência ao comunismo. Me causou certa espécie porque eu nutria uma percepção (uma esperança) de que os professores da rede pública fossem, em sua maioria, a esquerdalha doutrinadora que vemos tanto o inimigo mencionar.

Como o grupo era extraoficial não me preocupei em esclarecer minha posição, ou argumentar a favor da livre expressão, mas precisei ponderar muito seriamente em como as ideologias penetram os ambientes de trabalho e em que medida um grupo de ‘zap’ deveria zelar pelos princípios de comunicação institucional que defendemos aqui no O.C.I., mesmo sendo uma reunião privada.

A situação se inflamou ainda mais à medida em que outros conflitos políticos foram adentrando o recinto, já sem a minha participação. Apesar de ter recebido um discreto acolhimento por parte de algumas das colegas, me senti silenciada, e o que é pior e mais grave, senti o manto da censura prévia sendo jogado sobre o meu labor de ensinar como Paulo Freire defendeu: para emancipar.

E então, leitores, alguma sugestão para me ajudar navegar esses pântanos? Ou ainda, eu fui mesmo tão inoportuna e inconveniente em desejar um bom dia à classe trabalhadora?

Reflitamos, pois.

Bárbara Villa é jornalista (UFF), tradutora (UGF) e pedagoga (UBC).