A precarização do jornalismo. Por André Zenobini.

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Quando escolhi em qual curso entrar numa Universidade fui obrigado a ouvir os mais variados ‘conselhos’ – que sempre variavam entre Direito, Medicina e Engenharia. Eu ouvia, por vezes concordava, mas intimamente sempre soube que o jornalismo seria a área que eu queria seguir. Entrei na faculdade em 2008 com muitas esperanças de que, num país democrático, aumentasse cada vez mais a necessidade do jornalismo.

Em junho de 2009 veio o que, para mim, seria a primeira grande bomba contra minha profissão. Num caso relatado pelo ministro Gilmar Mendes, no STF, caia a necessidade de diploma para a prática do jornalismo. Segundo ele, os veículos fariam a seleção de forma natural de quem seria ou não apto ao trabalho. Esquecia-se o excelentíssimo Ministro que existem jornalistas em empresas, em assessorias, emissoras de TV e rádio, em órgãos públicos, e que teoria e técnica são debatidas nos bancos universitários.

Ao longo dos últimos anos vi veículos de comunicação e jornalistas serem atacados inúmeras vezes por políticos de todas as vertentes, empresários, malfeitores. Sempre aqueles que por algum motivo temem o exercício livre do jornalismo. Do mesmo modo, sempre vi as mais diversas categorias procurarem jornalistas quando precisaram divulgar uma greve, reclamar de condições de trabalho, apresentar novidades e projetos.

Quando a notícia é boa, os jornalistas são ‘parceiros’. Quando a notícia é ruim, ‘fulano é um lixo’. Nos últimos meses, segundo a FENAJ, foram 99 ataques do presidente da República contra a imprensa. Colegas estão sendo perseguidos em suas redes sociais com linchamentos dos mais variados, uma verdadeira caça às bruxas.

No dia 11 de novembro, a MP 905/2019 revogou artigos sobre regulamentação profissional que previa a obrigatoriedade do registro profissional para o desempenho de atividades. Ora, com ou sem diploma, tal registro era a última segurança para a profissão. Agora, perdem-se todos os níveis de controle de quem pratica ou não a atividade. É um desmonte completo que o Estado brasileiro busca fazer para que haja menos qualidade de informação para você, caro leitor.

Sejamos conscientes de entender que jornalismo sério é essencial a um país democrático. Não há democracia sem jornalistas fazendo o seu trabalho; apurando e publicando aquilo que algumas pessoas não querem que seja publicado. Precisamos de mais união da categoria, de mais proximidade entre aqueles que defendem uma atividade profissional séria para que possamos resgatar o valor do jornalista. E, mais do que isso, precisamos da união de todas as categorias para que defendam o jornalismo junto conosco.

Defender o jornalismo é defender a democracia, a liberdade de expressão e a própria liberdade.

– André Zenobini é jornalista, proprietário da AZ Comunicação e Assessor de Comunicação da Superintendência dos Portos do Rio Grande do Sul.

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