10 conselhos que um foca investigativo pode oferecer. Por Felipe Migliani.

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Terminei a faculdade de jornalismo há um ano e concluí a pós-graduação em jornalismo investigativo há 15 dias. O que um ‘foca’, como o mercado costuma chamar jornalistas recém-chegados, tem para escrever sobre a profissão de jornalista investigativo? Estou me fazendo essa pergunta e aposto que você também se fez. Mas, por incrível que pareça, tenho muito a contribuir. Cada pauta, reportagem, entrevista, pesquisa e seja lá que for me proporcionaram vivências e experiências.

Tantas aulas, congressos, livros, filmes, palestras, apostilas ou qualquer conteúdo que seja contribuiu para análises e reflexões sobre a profissão. Peguei um lápis e uma folha de ofício. Listei várias situações que se transformaram em conselhos. Alguns conselhos se misturaram e outros que surgiram durante o processo criativo. Mas fechei a lista com dez conselhos que podem te ajudar neste começo de carreira.

Sempre tem alguma coisa errada

Diante de uma pauta sempre tenha em mente a ideia de que alguma coisa está errada. As pessoas erram o tempo todo, inclusive os jornalistas. O ser humano está sujeito ao erro e por isso o primeiro passo é descobrir a coisa errada dentro daquele tema.

Quem mais pode saber?

Descobrindo o que está errado, o próximo passo é descobrir quem mais pode saber do erro. Uma boa dica é farejar os elementos que estão mais próximos da coisa que está errada.

Não ignore nenhuma fonte, principalmente as inesperadas

Toda pessoa é uma fonte. Todo mundo tem algo a falar. Todo mundo tem algum tipo de informação que deve ser analisada, cruzada e processada. Portanto, sempre esteja com canetas, bloquinhos e celular carregado. Pois a qualquer momento você poderá utilizar.

Revise o que já fez

Retorne as etapas. Como disse, estamos sujeito ao erro. E revisar nossos passos é diminuir a margem do erro. O fato que passou despercebido pode estar bem nítido desta vez. Revisar é uma tarefa contínua.

Procure por vítimas e inimigos

Outro fato importante é se atentar às pessoas que foram prejudicadas pelo erro e os desafetos de quem cometeu o erro. É necessário identificar essas pessoas e conseguir informações. Provavelmente terão informações cruciais sobre o fato investigado.

Siga o dinheiro

Essa é a dica mais clichê, porém a mais eficaz. O ser humano deixa rastros, um deles – o dinheiro. Somos consumidores e seguir o que consumimos é colocar a investigação no caminho certo. Seguir o dinheiro traz, na maioria das vezes, grandes informações que influenciam a investigação da cabeça aos pés.

Adote práticas do jornalismo colaborativo

Tenha uma rede de contatos com colegas da profissão. Eles podem te ajudar e você, ajudá-los. A troca de experiência e informações pode alavancar seu trabalho e proporcionar ótimas pautas e resultados.

Segurança em primeiro lugar!

Utilize dispositivos de segurança durante a investigação. Não coloque sua vida em risco, pois se acontecer alguma coisa contigo, a história jamais será contada. Jornalista seguro é sinônimo de história viva.

Não desista!

Trabalhar com jornalismo investigativo é cruel. Às vezes você fica meses investigando um fato e no final das contas não chega a nenhuma conclusão ou o editor acaba mudando a pauta. Investigar exige tempo, muita persistência e paciência. Lembre-se que sua história será útil para sociedade, além de ser portfólio para adquirir novas oportunidades.

Estude, estude e estude!

Invista em qualificação, sejam cursos de extensão, leituras, filmes, palestras, congressos, especializações, mestrados etc. Todo conhecimento adquirido pode resultar em grandes trabalhos no futuro. Estudar nunca é demais. E, lembre-se, a vida é uma universidade e a aprendizagem é continua.

Imagem: o mestre Zuenir Ventura e eu.

Felipe Migliani é formado em Jornalismo pela Unicarioca e cursa pós-graduação de Jornalismo Investigativo na Faculdade Unyleya. Trabalha com jornalismo independente e investigativo. É, também, microempreendedor, prestando serviços de assessoria, marketing digital e produção de conteúdo.