Redescobridores... ou devastadores? Um caso de 'greenwashing'.

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A campanha posta no ar – atualmente – pela Vale é um ‘case’ acabado de ‘greenwashing’ – técnica que busca desviar a atenção do leitor/ouvinte/espectador/internauta/consumidor/cidadão a partir de uma narrativa enganosa ‘verde’. O locutor de voz aveludada tenta nos convencer de que a empresa mais preserva do que cava com o slogan-cambalhota ‘redescobrir é a nossa natureza’. Num dos textos da campanha chega-se ao cúmulo de dizer que a Vale melhora a cadeia logística para entregar ‘um minério de melhor qualidade’ – como se esteiras mecânicas, caminhões e navios tivessem o condão de elevar a cotação da tonelada do minério que praticamente doamos ao mundo(*).

Composta de filmetes cinematográficos e muito bem produzidos, a campanha conta com um plano de veiculação milionário a julgar pelo número de inserções diárias no meio TV – o mais caro da mídia brasileira. Aliás, um destes filmetes – de 30 segundos – tem o auxílio luxuoso (na trilha sonora) de ninguém menos que Tim Maia (a música: Descobridor dos Sete Mares), nada ecológico compositor…

Como é público e notório, a Vale é co-proprietária (com a anglo-australiana BHP) da Samarco e, portanto, corresponsável por um dos maiores crimes ecológicos(**) já cometidos no planeta, que destruiu o rio Doce, matando 19 pessoas e devastando toda a calha daquele rio nos estados de Minas Gerais e Espírito Santo, despejando milhões de toneladas pelo caminho até o oceano Atlântico. Centena de anos será necessária para que a natureza recomponha os biomas destruídos, as comunidades arrasadas ainda não se refizeram dos impactos e – após três anos – indenizações são objeto de querelas judiciais, num eterno jogo-de-empurra entre a empresa e suas controladoras, os ministérios públicos estaduais e federal, prefeituras e governos dos estados. E a União? Impávido colosso!

(*) Certa vez Leonel Brizola queixou-se de que o Brasil vendia o nosso minério (o subsolo é patrimônio da União – e não da privatizada Vale) ‘a preço de banana’. Balela! Um container de bananas custa muito mais que um container de ferro (cuja tonelada raramente ultrapassa o teto de 70 dólares).

(**) As imagens são do desastre ambiental – (do avisado) rompimento da barragem de Fundão, em Mariana – que devastou as localidades de Paracatu de Baixo e Bento Rodrigues. Vide matéria de Humberto Trajano (G1) de 19/09/2018 – https://g1.globo.com/mg/minas-gerais/noticia/2018/09/13/quase-3-anos-apos-tragedia-de-mariana-projeto-para-novo-distrito-de-paracatu-de-baixo-e-aprovado.ghtml

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