Projeto "de marketing" da Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro.

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Câmara RJ

Trata-se de um informe publicitário de 4 páginas(!), da Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro, publicado no domingo, 04/01, no jornal O Globo (páginas de 7 a 10).

Informe publicitário é um formato legal utilizado por entes públicos – e privados – para produzirem comunicação (na maioria das vezes, institucional) sem recorrer ao anúncio publicitário comum (os preços das duas ‘mídias’ são diferentes). O entendimento legal, também.

A entidade que quer informar algo em grande circulação, mas quer fazê-lo de maneira mais formal, não propagandística, utiliza o modelo “informe publicitário”. É assim, por exemplo, com as Sociedades Anônimas. Para as S. A. com capital em Bolsas de Valores, aliás, há normas mais rigorosas e, dependendo do tipo de comunicado, o mesmo tem que ser publicado sob a denominação “Fato Relevante” – e o texto tem que ser emoldurado por um fio diferenciador.

Tal moldura com fio diferenciador também é recurso usado nos informes publicitários em geral, justamente para que o leitor perceba a diferença entre o que está lendo ali em relação ao conteúdo editorial do jornal ou revista impressos em questão (dado que as palavras “informe publicitário” têm sido grafadas cada vez em menor destaque pelos veículos – de maneira capciosa e criticável, no mínimo). E por que? Porque um número cada vez maior de informes publicitários têm sido produzidos pelos próprios jornais e revistas, com tipologia cada vez mais semelhante àquela utilizada pelo noticiário. Esta, uma prática também criticável. (O uso de papel diferenciado também poderia caracterizar um “destaque” em relação ao restante, no veiculo, mas isto é algo a ser melhor discutido).

O jornal O Globo criou há tempos o que denomina “Projetos de Marketing” – o que é, inteiramente, não só um desserviço ao genuíno Marketing, como também uma contrafação do informe publicitário. Ou seja, matérias para as quais seria recomendado o tratamento de informe publicitário são veiculadas sob a denominação – nebulosa – de “O Globo – projetos de marketing”.

Um desses projetos de marketing d’O Globo (em papel diferenciado) é que foi utilizado pela Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro para fazer… autopromoção! E com recursos públicos (certamente não menos de 2 milhões de reais, neste caso).

É de se questionar:

– O ente é obrigado a fazer este tipo de prestação de contas paga?

– O cidadão precisa ser informado sobre o que fez ou faz o dado ente deste modo?

– O cidadão precisa ser informado sobre o que fez ou faz o dado ente a este custo?

– O motivo desta divulgação está previsto?

– Qual a eficácia da divulgação?

– Qual o benefício para a cidade ou a cidadania?

– Não haveria melhor propósito para este gasto?

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