Mino Carta: a qualidade salvará a mídia impressa.

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Em discurso nesta segunda-feira, 28, durante a premiação d’As Empresas Mais Admiradas no Brasil – 2013, o diretor de redação da revista Carta Capital disse que “o futuro do jornalismo tradicional passa pela capacidade investigativa e analítica dos veículos”.

Mino Carta afirmou ainda que “há uma precipitação na análise sobre o destino sombrio da mídia impressa, a começar pelos jornais diários”. Segundo o jornalista, a avalanche de informações proporcionadas pela internet tornou difícil a vida dos jornais. Para ele, no entanto, a salvação está na “capacidade de analisar os fatos de uma maneira crível, inteligente, profunda e sem a pretensão de impor as ideias próprias a quem as lê”.

“Tenho a certeza de que uma ilustração inteligente dos fatos, como uma maneira de analisá-los, pode efetivamente contribuir para a formação de uma opinião própria do leitor. A primeira saída para a mídia impressa é essa capacidade da análise inteligente e honesta, equidistante e equilibrada. Não é o que eu tenho observado por parte da mídia brasileira”.

O segundo aspecto considerado “importantíssimo” por Mino Carta é a capacidade de a mídia impressa colocar em prática o jornalismo investigativo. “É o que permite o que chamamos de furo, aquilo que o jornalista captura e que só ele detém. É o caminho que a imprensa brasileira abandonou faz tempo”.

Opinião e sugestão didática

Fazer parte dos levantamentos anuais das “empresas mais admiradas no Brasil”, certame promovido – e publicado em edições especiais – pela revista Carta Capital, é objetivo acalentado por muitos. Diferentemente de outro alentado ranking, o “das melhores empresas para trabalhar”, o levantamento das mais admiradas baseia-se em uma opinião dada por pares. Ou seja, os executivos das empresas de um dado setor devem citar as demais – suas concorrentes – em ordem (ranking) que se baseia em quesitos como capacidade de mutação frente a uma demanda do mercado, transparência, conduta ética, política de recursos humanos e boas práticas concorrenciais. Isto, é claro, somando-se também a presença da empresa no imaginário do consumidor – industrial ou individual – e algo que vem aparecendo sempre nesses levantamentos: o diálogo intramuros, a comunicação interna.

O que causa “admiração”? Um conjunto quase infinito de predicados que uma organização coloca em prática em seu dia a dia, perenemente. Não é “a empresa do momento”, nem a maior ou a mais antiga, nem a monopolista – levantamentos acadêmicos de Jim Collins (*) têm demonstrado – há quase duas décadas – que não há “regras” gerais fixas para o sucesso empresarial.

Mas existe um setor para o qual “admiração” é a moeda mais valiosa: Relações Públicas. O estudo comparativo permanente do ranking das mais admiradas – e a busca das razões gerenciais presentes naquelas organizacões, então – constitui-se em ferramenta utilíssima em salas de aula de RP, nas disciplinas relacionadas a negócios: administração, planejamento estratégico, gestão de projetos, estudo de públicos, pesquisa de opinião pública e de mercado, marketing e assessoria de comunicação.

(*) alguns títulos originais do autor:

Great by choice, 2012

How the mighty fall, 2009

Good to great, 2001

Built to last (com Jerry Porras), 1996

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