Jovens apostam no crescimento das agências "full service".

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Meio&Mensagem
21/05/2013

REPRODUÇÃO:

As agências puramente voltadas a marketing digital ou de social media devem desaparecer nos próximos anos. Essa é a opinião de nada menos que 80% de entrevistados por um estudo conduzido pelo Publicis Groupe junto a 2 mil estudantes de marketing no continente europeu.

Essa geração acredita que a social media e o digital são aplicáveis a todas as funções do marketing, e não podem ser vistos como disciplinas isoladas.

Nativos digitais, 70% dos jovens ouvidos acreditam ainda que o cenário do marketing dentro de dez anos será dominado por um pensamento mais voltado a relações públicas e conteúdo.

Em relação a conteúdo, 81% apontam que ações em que as marcas se tornam publishers e criadores de seus próprios conteúdos serão dominantes. E quanto ao RP, 70% afirmam que a busca por repercussão positiva (por conquista de boa reputação e por recomendações boca a boca) será estratégia essencial para a agência responder ao briefing.

Sete a cada dez entrevistados dizem que o publicitário do futuro terá que entreter, e não vender. E 90% apontam que o full service é o modelo do futuro, reunindo serviços de publicidade, direct, social, digital e RP.

Em relação às redes sociais, o Facebook é apontado como o melhor ambiente para as marcas, segundo 77% dos entrevistados. O estudo do Publicis não deixa de fazer uma provocação ao rival WPP: 40% dos estudantes não acreditam em uma frase recente de Martin Sorrell, CEO da holding britânica concorrente, de que o Twitter não é uma mídia publicitária.

Por fim, os entrevistados apontaram suas campanhas favoritas do ano passado. A mais votada, por 44% dos ouvidos, é “Red Bull Stratos”, a ação da marca que levou um homem a saltar da estratosfera e quebrar recordes como o de velocidade vertical.

Também foram destacados “My Time is Now”, da Nike, e mesmo a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Londres.

Confira [neste link] os vídeos das ações de marketing favoritas dos jovens entrevistados:

COMENTÁRIO DO OCI – Marcelo Ficher

O que já se vinha percebendo na prática, agora chega às pesquisas, e com um viés interessantíssimo, a opinião de “última geração” sobre o papel das relações públicas.

Conforme a pesquisa, para os jovens “que já nasceram conectados”, agora, o que interessa é justamente estar conectado com as pessoas. Arrisco-me a dizer que o way of marketing contemporâneo é que primeiro deu falta das relações públicas. Percebeu que o one to one marketing tem dificuldade de se completar com as ações concentradas em comunicação de massa.

O investimento é alto; é caro pagar veiculação, e é possível encontrar o público de outros vários modos. Inclusive, no mundo “hiperpovoado” do ambiente virtual, é natural que a diferenciação se dê também pelo relacionamento tête-à-tête, pelos acontecimentos (“experiences”) reais, e pela comunicação dirigida, ou “customizada”, como prefere o marketing.

Iria além.

No mesmo caminho que as agências de marketing digital e de social media, irão as assessorias de imprensa focadas em imagem via mídia. Esta continuará sendo uma atividade importante, mas a preocupação com a repercussão junto à mídia estará incorporada a todos os processos, sem um especialista.

A atribuição será de quem liderar o verdadeiro full service, com visão sistêmica e abrangente acerca da comunicação nos negócios. Internacionalmente, a nomenclatura dessa área é public relations, e a globalização da economia brasileira vai alinhar os procedimentos com a prática internacional. Não há porquê para não adotar-se o devido nome da coisa.

À frente do nosso tempo, os mais jovens já perceberam essa tendência. E mais: se reconhecem como consumidores de propaganda e sabem que isto tem um “custo”. É quase como que perguntassem: – quanto você me paga para eu ver sua propaganda?

“Eu também tenho valor”.

Simbolicamente, a contrapartida é a qualidade dos “encontros”, a começar por “quem convida”.

Na Era das Relações Públicas, a identidade é tudo.

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