Guerra de notas. (Trechos sublinhados são reproduzidos da mídia).

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Não é de hoje que acontece uma verdadeira “guerra de notas” na imprensa. É nota para cá, nota para lá. Notinha “no Ancelmo”, desmentido na “coluna do Joaquim”… etc. etc. etc.

E o leitor já se acostumou, sem perceber que, nessa guerra, quem perde é a verdade factual. O preço quem paga é a cidadania – cada vez mais mal informada. E quem se beneficia é o patronato de um jornalismo cada vez mais preguiçoso e, por conseguinte, frágil.

Vejamos o caso mais recente, de ontem.

O Metrô do Rio – pela enésima vez depois que o governo do estado decidiu criar um único “linhão” desde a Pavuna até a Barra, acabando com a baldeação (qualquer metropolitano do mundo está baseado em baldeações) na estação Estácio -, segundo O Globo (edição de hoje, página 29), “… enguiça e volta a causar transtornos a passageiros… Quatro dias depois da pane que deixou centenas de pessoas presas por mais de uma hora em trens na Zona Sul, passageiros enfrentaram novos transtornos ontem de manhã… A composição enguiçada foi rebocada 22 minutos após apresentar o problema“.

Como sempre

A concessionária Metrô Rio informou, através de seu perfil no Twitter (o novo “paraíso” das notas), “que o problema havia sido solucionado, após muitos usuários reclamarem da falta de informações“. (este foi o “ataque” – a primeira nota).

O contra-ataque

Conforme O Globo: “Em nota, a Agência Reguladora de Serviços Públicos de Transporte (Agetransp) afirmou que vai investigar o problema“.

COMENTÁRIO DO OCI – Marcondes Neto

E fica por isso mesmo: há normas sobre o tempo que se deve levar para resolver problemas, mas não há normas sobre o tempo que se deve levar para comunicar problemas. Os usuários do Metrô – muitos deles – afirmam que o tempo transcorrido foi “mais de uma hora”. E o Metrô “afirma” (como? em nota à imprensa, ora) que foram “7 minutos” – um intervalo de tempo dez vezes menor…

O cidadão entra na estação, perde tempo, perde a hora, perde a paciência e a agência (des)reguladora (*) contenta-se em enviar à imprensa uma nota-padrão, “afirmando”  (agência afirma alguma coisa?) “que vai investigar o problema…”. Sim, claro, até a próxima pane. E a próxima reclamação do usuário. E a próxima nota. E ao próximo desmentido…

Detalhe para além da comunicação: pela “gambiarra” introduzida em 2011 (criando o “linhão” acima mencionado), a concessionária ganhou mais 25 anos de direito de exploração do metropolitano. Deve ter sido pelos excelentes serviços prestados à população carioca – também vítima preferencial da guerra de notas, relevante desserviço prestado ao jornalismo.

(*) O nome completo da super-poderosa Agetransp é “Agência Reguladora de Serviços Públicos Concedidos de Transportes Aquaviários, Ferroviários e Metroviários e de Rodovias do Estado do Rio de Janeiro”. Quem tudo faz, nada faz. E em seu website, a foto que “ilustra” a home é, justamente, da (linda e fake) ponte em arcos da “gambiarra” construída – para inglês ver – pela concessionária que a agência deveria fiscalizar. Veja: http://www.agetransp.rj.gov.br/agetransp/index.php.

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