“Pouca saúde e muita saúva, os males do Brasil são”. Macunaíma.

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Deu n’O Estado de S. Paulo de hoje , por Eduardo Kattah

A primeira ação judicial que trata dos fatos relacionados ao mensalão mineiro completou, neste domingo, dez anos de tramitação no Supremo Tribunal Federal. Distribuída para o então relator, ministro Carlos Ayres Britto, no dia 1º. de dezembro de 2003, a ação civil pública por atos de improbidade administrativa está praticamente parada na Corte neste período de uma década.

Segundo denúncia da Procuradoria-Geral da República, o mensalão mineiro foi um esquema de arrecadação ilegal de recursos para a campanha à reeleição do então governador de Minas, Eduardo Azeredo (PSDB), em 1998. A ação por improbidade foi ajuizada quatro anos antes da denúncia criminal e é o primeiro processo envolvendo a campanha tucana daquele ano.

A ação pede a indisponibilidade ou bloqueio cautelar de bens até o limite de R$ 12 milhões do ex-governador mineiro e atual deputado e outros dez requeridos – entre eles Marcos Valério Fernandes de Souza, seus sócios na SMPB, já condenado no mensalão federal, e o atual senador Clésio Andrade (PMDB-MG).

COMENTÁRIO

ONGs afins e mídia tratam muito pouco dessa demora. Está certo que o mensalão do PT também demorou quase isso para ser, finalmente, julgado. É como se a demonização do governo PT-PMDB fosse primordial, e não o desvio de verbas seja lá por quem for ou para o que fosse.

Há que julgar logo os mensalões do PSDB e do DEM de Brasília, que também está parado, embora tenha derrubado o governador de DF, José Roberto Arruda, antes nacionalmente conhecido pelo “episódio do painel”, quando os votos dados “secretamente” foram vistos pelo então senador Antônio Carlos Magalhães, com sua ajuda.

Podemos ver, nas redes sociais, um estertor aqui ou ali, normalmente de petistas irados, reclamações sobre o não julgamento do PSDB mineiro. Seria o caso de entrar-se com uma ação popular?

Por que um julgamento de corrupção leva dez anos para ser julgado pelo STF? Por que a corrupção faz parte do modus operandi da vida brasileira. Desde o cidadão que dá 50 reais para “a cervejinha” de Natal do guarda de trânsito, ao cartel do Metrô de São Paulo, passando por hostes petistas (o próprio Lula assinalou que a corrupção foi um dos males que atacou os petistas no Poder).

Como se explica que Paulo Maluf esteja solto até hoje, com todas as provas e condenações que recebeu?

Como o casal Garotinho ainda está por aí, como se nada tivessem feito de errado?

E o desvio das verbas para as tragédias das chuvas na região serrana fluminense? Você vai a Nova Friburgo e tudo está como ficou depois das inundações e muitas mortes.

Só concordando com o título deste texto e dando, mais uma vez, razão ao nosso Macunaíma.

Fazendo parte da vida brasileira, especialmente da política, a corrupção não deve ser investigada porque há “rabos presos” em todos os patamares.

Fica-se na discussão partidária, um acusando o outro, os petistas divulgando que o mensalão desviou “só” 55 milhões (o que a condenação de Henrique Pizzolato desdiz), muito pouco se comparado aos outros tantos bilhões desviados em outros mensalões.

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