Pequenos poderes.

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roma

Muito se diz que informação é poder. Isto é um lugar-comum. Mas quem quer de fato comunicar-se com o outro, talvez deva despir-se inteiramente da tentação do poder…

Lembro-me de uma cena no seriado “Roma”, exibido pela HBO, em que Cícero, senador romano, avisa Júlio César de que ele até poderia se tornar um imperador. Mas, que seu poder seria limitado e que não duraria muito tempo. “Não há poder que perdure”, afirmava Cícero no seriado.

Na vida real, Júlio César nunca se tornou imperador, mas foi um ditador que assumiu o comando do Império Romano até ser assassinado. Historiadores afirmam que ele se dizia um imortal, um Deus, acima dos humanos por ter conseguido criar – e estabelecer – o maior império que já existiu em toda a história da humanidade. De fato, seu feito foi para lá de extraordinário. No entanto, Cícero tinha razão: “não há poder que perdure”.

Disputas pelo poder sempre existiram em todas as épocas. A vontade de “poder mais”, de querer ser superior a uma pessoa, a um povo, uma nação, sempre existiu. Ou ainda, cobiçar aquilo que não se tem e querer ter a sensação do “eu quero, eu posso” também sempre fez parte do cotidiano dos mais diferentes povos.

Mas, por que o poder é tão atraente? Talvez, não haja de errado em querer ter poder, querer ser influente. O problema talvez seja “como usar” tal poder. Poucas pessoas hoje no mundo conseguiriam ter a sensação que Júlio César teve ao assumir a frente do Império Romano. Mas isso não tira delas o desejo de se sentir poderosas e de também exercer seus poderes, ainda que limitados, sobre os demais. Isto é o que chamo de “pequenos poderes”… e é aí que mora o perigo.

Um chefe que debocha de seus funcionários não sabe como utilizar bem sua influência. Um superior que não escuta a sua equipe, por exemplo, também possui dificuldades em exercer seu poder.

Engana-se quem pensa que o abuso do poder sempre ocorre de cima para baixo. Um funcionário que negligencia uma informação por não gostar de seus superiores usa, equivocadamente, um poder. Um porteiro que deixa de entregar uma correspondência a alguém com quem “não vai com a cara”, está usando um seu poder de maneira errônea. Uma babá que maltrata os filhos de sua patroa também, certamente, estará exercendo o seu poder de forma muito errada.

Mesmo quando há igualdade entre as pessoas pode haver o abuso do poder: um profissional que desmerece o trabalho de um colega apenas para se sentir superior àquela pessoa também exerce seu poder de forma equivocada. Ou, ainda, um profissional que fala mal de um colega pelas costas, por não ir muito com a cara de fulano, está exercendo o seu poder com maldade.

É evidente que ainda existem pessoas que exercem seu poder de modo positivo trazendo benefícios imensos. Gisele Bündchen, por exemplo, abusa da sua influência para mostrar às pessoas como se alimentar bem, a importância de preservar o meio ambiente, de cuidar de si e dos outros. Pessoas muito menos influentes que Gisele vêm buscando usar o seu poder para participar de processos colaborativos. Por exemplo, incentivar sua comunidade a fazer algo em conjunto, tal como cuidar de uma praça, ou de uma rua. Ou ainda, ajudar um colega de trabalho meio tímido a apresentar um projeto.

Agora, mesmo com as melhores das intenções, nem sempre o poder combina bem com comunicação. Isso porque se você pretende interagir melhor com as pessoas, buscando ganhos mútuos e uma comunicação fluída, talvez tenha que deixar de lado a tentação de usar o seu poder.

Para se comunicar bem basta abrir seu coração, colocar-se em pé de igualdade com quem você conversa e pronto… tudo fluirá. Portanto, se você não é um embaixador em que seu poder é que vai modificar uma situação crítica, por que é mesmo que precisará demonstrar seu poder? Até porque, como dizia nosso Cícero, “não há poder que perdure”.  Que tal se importar menos com o seu poder e mais com o que você pode comunicar?

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