Carlos Brickmann no OCI, 18/05/2015.

Share Button

Do singular ao plural.

Meninos, ouvi: crise política é o que teremos agora. Nada dessas coisas simples, de oposição e Governo, de coxinhas e melancias – que, como comprovaram os tucanos na sabatina de Luiz Edson Fachin, são parte do mesmo lanche.

Renan e Eduardo Cunha estão no alvo do procurador Rodrigo Janot e procuram alvejá-lo primeiro. Renan e Cunha miram em Dilma e o PT mira nos dois, mas também quer pegar Janot, por desconfiar que ele mire em Lula e também em Dilma. Dilma adora Renan e Cunha, de preferência ao forno com batatas e maçã na boca, e é indiferente a Collor, que atira em Janot (são quatro representações – e, se uma for aceita por Renan, que foi aliado, inimigo, aliado e hoje em dia sabe-se lá o que de Collor, Janot pode ser afastado – e, como foi Janot que convenceu Ricardo Pessoa, o empreiteiro da UTC, a aderir à delação premiada, seu afastamento pode atrasar as denúncias previstas. Como tem gente torcendo por isso!)

Ricardo Pessoa é o sonho de qualquer investigador. Não ouviu dizer: ele sabe (e já insinuou que atingirá autoridades, e já disse que deu dinheiro por fora para a campanha de Dilma). Ele estava no lugar certo, na hora certa, em contato com as pessoas certas. Tem condições de causar um terremoto na política deste país.

Drummond, num festejado poema, contou que João amava Teresa que amava Raimundo que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili que não amava ninguém. O título do poema é Quadrilha. Na versão atual, em que todos se odeiam e se aliam apenas para alvejar terceiros, o título poderia ser Quadrilhas.

O comando da zona

O Brasil tem suas peculiaridades. Por exemplo, condenou PC Farias por seu papel como intermediário em propinas, sem apontar quem pagou nem quem recebeu. E, tanto no Mensalão como no Petrolão, os fatos simplesmente ocorrem, sem que ninguém os coordene, sem que ninguém planeje nada. Chega-se à conclusão de que tanto no Governo quanto em estatais de prestígio há dois tipos de pessoas: algumas não são capazes de nada, outras são capazes de tudo.

Ricardo Pessoa tem condições de lançar luz na escuridão: quem cafetina este bordel?

Questão de números

O advogado João Carlos Biagini, leitor desta coluna, faz uma síntese interessante dos aspectos esotéricos da crise. O processo corre na 13ª. Vara Criminal de Curitiba. Ricardo Pessoa assinou o acordo de delação premiada no dia 13. E 13 é o número de um de nossos inúmeros partidos.

Coincidência ou aviso de bomba?

O mundo como ele era

A nota é do jornalista Lauro Jardim (http://veja.abril.com.br/blog/radar-on-line/): realiza-se agora na República Dominicana o encontro das 150 famílias mais ricas da América Latina, promovido todos os anos pelo mexicano Carlos Slim. “Em 2011, a reunião aconteceu no Brasil. Num outro Brasil. Para se ter uma ideia, Eike Batista, então o homem mais rico do país, foi ao encontro levando o filho Thor. Um dos palestrantes foi Lula, então no auge do seu prestígio. Recém-saído do poder, botou no bolso 250.000 reais para falar aos empresários.”

Perdoai-os, Senhor

Sabe aquela festa monumental, do casamento dos médicos Roberto Kalil e Cláudia Cozer, que reuniu na mesma mesa, simulando grande amizade, pessoas que se detestam, como Lula, Serra, Renan, Dilma, Alckmin e Haddad? Naquele ambiente seleto, o secretário da Saúde de São Paulo, David Uip, um dos inúmeros padrinhos, se distraiu por alguns instantes. E furtaram-lhe os dois celulares.

Suspeitos, claro, não faltam. Mas os celulares continuam desaparecidos.

Salsicha escandalosa

O primeiro-ministro da Prússia, Bismarck, disse que quanto menos soubermos como são feitas as leis e as salsichas melhor dormiremos à noite. Se Bismarck soubesse como são feitas no Brasil as concorrências para comprar salsichas, certamente, nas palavras que nossa presidente tanto aprecia, ficaria estarrecido.

A Prefeitura petista de São Paulo comprou 268 toneladas de salsichas para a merenda escolar, em concorrência pública, pagando R$ 2,14 milhões. O vereador Gilberto Natalini, do PV, como diria Dilma, ficou estarrecido: comprou salsichas em diversas lojas, pagando de R$ 3,48 a R$ 7,69 o quilo. A Prefeitura comprou direto do fabricante, a Brazil Foods, a R$ 7,99 o quilo. O Tribunal de Contas do Município refez a pesquisa de Natalini, limitando-se às salsichas Sadia, marca comprada pela Prefeitura. E encontrou R$ 7,41 o quilo. Cinquenta e oito centavos de diferença no quilo, em 268 mil quilos. É dinheiro! Mas a Prefeitura explica: entre outros motivos, está incluído no preço o custo de logística da entrega.

Tudo bem – mas, quando uma rede de supermercados compra salsichas, não há aquilo a que chamamos “frete”, e que para a Prefeitura é “custo de logística da entrega”? Irão as salsichas encontrar seus compradores, disciplinadamente, a pé?

Um político coerente

Quando foi ministro da Educação, o hoje prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, PT, não conseguiu promover um único ENEM sem problemas. Como prefeito, não conseguiu até agora entregar os uniformes para alunos de escolas municipais. O ano letivo começou em 4 de fevereiro.

Deve ter faltado tempo.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *