A internet e o mau jornalismo. Por Umberto Eco.

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Vale a pena ler esta entrevista do Prof. Umberto Eco (que antes de romancista é um mestre excelente da Semiótica).

Ele faz uma crítica à imprensa tradicional (jornais, rádio e TV) que, na opinião dele, se exime de criticar e contrapor as chamadas “mídias sociais”, não apontando seus equívocos, exageros e inverdades.

Concordo com o mestre!

A internet pode, sim, ter-se tornado o lugar do mau jornalismo… Se você sabe que está lendo um jornal como El País, La Repubblica, Il Corriere della Sera, pode contar que existe um certo controle da notícia e confia. Por outro lado, se você lê um jornal como aqueles vespertinos ingleses, sensacionalistas, não confia. Com a internet acontece o contrário: confia-se em tudo porque não se sabe diferenciar a fonte credenciada da disparatada. Basta pensar no sucesso que faz na internet qualquer página que fale de complôs ou que invente histórias absurdas… Se alcança um acompanhamento incrível de internautas renhidos e, até, de pessoas “analógicas” que as levam a sério, eventualmente.

O jornalismo bem poderia ter outra função… Estou pensando em alguém que faça uma crítica cotidiana da internet, algo que acontece pouquíssimo. Um jornalismo que me diga: “Observe o que há na internet, observe que coisas falsas estão dizendo, reaja a isso, eu te ajudo”. E isso poderia ser feito tranquilamente. No entanto, ainda se pensa que jornal é feito para ser lido por alguns velhos senhores (já que os jovens não os leem) que ainda não usam a web.

E criou-se a falsa ideia de que a internet é uma espécie de “Terra Prometida” da liberdade de expressão, quando, na verdade, o que mais se encontra por lá é intolerância, falsidade e debates pautados no ataque pessoal e não no debate livre – e civilizado – de ideias.

E é triste a imprensa correr atrás e se colocar em posição defensiva, envergonhada e muitas vezes pedindo a benção dos “blogs progressistas”. Ser “progressista” com dinheiro público é mole… quero ver pagando 14% de impostos a cada nota fiscal emitida, como é o meu caso.

Haveria que fazer um jornal que não se tornasse apenas a crítica da realidade cotidiana mas, também, a crítica da “realidade virtual”. Este seria um futuro possível para bom jornalismo.

Link para a entrevista de Umberto Eco a Juan Cruz, publicada no jornal espanhol El País em 24 de março último – http://brasil.elpais.com/brasil/2015/03/26/cultura/1427393303_512601.html

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