YouTube pede desculpas por anúncios em vídeos ofensivos.

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Deu n’O Globo de ontem (P. 24):

Diretora do canal diz que empresa quer conquistar confiança de agências.

A diretora executiva do YouTube, Susan Wojcicki, pediu desculpas a empresas de publicidade pelas propagandas que aparecem ao lado de vídeos que disseminam discurso de ódio na plataforma, de acordo com o site da revista ‘The Hollywood Reporter’. Em março, mais de 250 companhias encerraram seus acordos de publicidade no YouTube, acusando a Google, dona da rede de vídeos, de permitir que seus anúncios aparecessem associados a tais conteúdos.

– Quero que vocês saibam que nós levamos suas reclamações a sério. Trabalhamos todos os dias para conquistar a confiança de nossos publicitários e agências – disse Wojcicki em uma conferência de marketing, em Nova York, na noite de quinta-feira. – Nós pedimos desculpas por decepcionar vocês. Podemos e iremos fazer melhor.

Ela assegurou que suas equipes estão ‘trabalhando sem parar’ para garantir que os anúncios ‘apareçam no lugar certo’.

A receita do YouTube pode sofrer um baque de até US$ 750 milhões devido à suspensão de contratos de dezenas de empresas multinacionais que eram anunciantes na plataforma, segundo estimativas do banco Nomura Instinet.

COMENTÁRIO

A ‘big’ falha do Big Data.

‘Internet é vídeo’. Já mencionamos esta frase aqui, neste OCI – a qual nomeia alguns artigos publicados em revistas de negócios. Recentemente, Michael Wolff publicou o excelente livro ‘Television is the new television: the unexpected triumph of old media in the digital age’ e mostrou que, por exemplo, a decisão do Google de adquirir o YouTube estava – muito – certa. De uma aventura ‘startup’ surgiu um ‘canal’ – com todas as honras que a palavra ‘canal’ merece no universo da comunicação, desde Shannon & Weaver. YouTube não era algo considerado ‘televisão’, mas vídeo – diferença que é tecnicamente fundada. Com a criação do canal, a diferença evanesceu…

De outro lado, ferramentas ‘mais antigas’ do mesmo Google – ‘Google Ad Words’ e Google Ad Sense’ – garantiram a tal da ‘monetização’ de portais, websites e weblogs. ‘Produtores de conteúdo’ surgiram às pencas, enriqueceram e, na esteira do YouTube, criaram uma nova categoria de ‘influencers’ – os ‘youtubers’… e o resto era história até esta crise em que anúncios da Cruz Vermelha ‘ornaram’ (pedindo contribuições num click) vídeos do ISIS.

Ora, a maravilha do Big Data tem um outro lado (como tudo nesta vida)… um tanto (ou totalmente) obscuro. Daria inspiração para Arthur Koestler produzir assombroso ‘conteúdo’ – ele que publicou ‘O fantasma da máquina’ já em 1967. Ora, se o ‘randômico’ da rede é um aspecto constitutivo onipresente – espécie de DNA da web – o qual nos permite ”fazer perguntas ‘semânticas’ ao Google” e obter respostas úteis (entre montes gigantescos de lixo, bem entendido), como fazer para que um randômico ‘reclame’, como disse a executiva do YouTube, ‘apareça no lugar certo’?

Questão relevante: – Quando será que os magos da inteligência artificial (e seus poucos bilionários cérebros eletrônicos) vão descobrir-se num oceano de cérebros naturais treinados, disponíveis – e baratos – ávidos por trabalho? Talvez nunca, pois como disse Marshall McLuhan, ‘Alguém descobriu a água… não foi o peixe’.

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