Propaganda veiculada no Brasil deveria "falar" português.

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Não é a primeira vez, nem é a única “no ar”, mas é um caso emblemático pela dificuldade de comunicação.

A multinacional francesa Dassault Systèmes está veiculando sua “solução” 3DExperience com um filme comercial de 30 segundos, falado em inglês, na nossa TV por assinatura. Entenda-se por “nossa”, brasileira, no Brasil.

É de se perguntar e refletir para quê mesmo serve produzir e veicular um filme comercial na TV.

Respostas para a redação…

“Fazer-se conhecer” seria um bom balanço das prováveis respostas recebidas. Ainda mais tratando-se de um comercial com “cara” de institucional – uma vez que fica impossível ao público leigo compreender de que se trata a veiculação, mesmo com a minúscula e fugidia legendagem. Será hardware? Turismo radical? Será software? Ativismo ambiental? Será peopleware? Será tudo isso junto?

Será que o filmete passa despercebido no turbilhão de comerciais? E aí, ninguém presta atenção, ninguém liga…?

Será que ação promocional leva em conta o efeito zapping, pelo qual não se vê os comerciais? Mas isto não é inútil… e caro?

As locações são dignas do finado rally Paris-Dakar. O idioma falado pelos franceses – absurdo; chamem o Asterix!  – é o inglês. Deserto, automóvel, pessoas com jeito de “exploradores”, oceano, rebocador… tudo ao mesmo agora, junto e misturado, em 30 segundos, e em inglês… será que não havia budget para fazer uma dublagem que fosse? Um slogan “locutado” na nossa língua? Não precisaria nem ser criativo, mas compreensível…

No passado, a indústria brasileira de propaganda já recomendara que os comerciais fossem criados no Brasil, ou produzidos no Brasil, ou – ainda – que, pelo menos, empregassem técnicos brasileiros… vá lá… alguma coisa nacional… e já houve uma obrigatoriedade – daquele tipo que ninguém gosta – do idioma português nas inserções veiculadas na TV brasileira.

Ora, se não é obrigatório, nem recomendado, nem cool, trata-se de usar o bom senso. Alinhamento global é uma coisa, usar o mesmo tape é economia que destrata o veículo – e sua audiência. Ou será que algum assinante acha bacana não compreender um anúncio?

A – interminável – concorrência internacional para a compra de caças para a Aeronáutica já provocara 5 players globais (from Suécia, Rússia, Itália, Estados Unidos, França) da indústria armamentista a anunciar nos nossos media para – quem sabe – tornar-se simpática aos leitores/espectadores brasileiros… talvez aquelas empresas achassem que entraríamos em contato com “nossos” parlamentares recomendando um avião ou outro… mas nunca o fizeram sem traduzir suas mensagens, minimamente – um lettering ao menos…

O público, de passagem pelos canais a cabo, ficava com a impressão que era mais uma versão do Top Gun. Não era. Foram apenas ações de um lobbying midiático ineficaz. Pelo menos a Dassault devia ter aprendido a lição.

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