O valor da atenção.

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Deu na Meio & Mensagem (25/09/2017, P. 36), na matéria de Victória Navarro:

Em meio à pulverização da audiência no ambiente digital, veículos de comunicação miram esforços na credibilidade e no conteúdo pago.

Muitos anos antes de conquistar o Prêmio Nobel de Economia, Herbert Simon havia dito que ‘um mundo com riqueza de informação implica a escassez daquilo que a informação consome – e o que ela consome é a atenção das pessoas’.

Os avanços tecnológicos proporcionam conteúdos multiplataforma, maiores em quantidade e qualidade, mas o tempo que as pessoas dedicam à mídia não aumentou de forma proporcional à essa oferta.

Diz Walter Longo, presidente do Grupo Abril:

– O negócio da mídia baseava-se em ‘advertising support’, ou seja, era basicamente bancado pela publicidade. Nunca foi tão importante a multiplicação das formas de monetização do nosso trabalho e produtos.

Já Alberto Pecegueiro, diretor-geral da Globosat, afirma:

– Para os veículos, houve pouca evolução no formato de venda e oferta comercial – o que tem mudado e precisa mudar muito mais. Isso aconteceu pela mentalidade do ‘em time que se está jogando não se mexe’ e muito pela consolidação do nosso modelo brasileiro.

Diversiva, empática e epistêmica

O alcance crescente de redes sociais e de criadores individuais tornou a mensuração de impacto do conteúdo ainda mais complexa, uma vez que verbas publicitárias passaram a ter uma diversidade de destinos. No fim das contas, deverão prevalecer as mídias que souberem se reinventar segundo essa complexidade.

De forma geral, a avaliação é que os suportes tradicionais não sustentam mais o interesse dos consumidores isoladamente. Isso porque o digital é capaz de responder à maioria dos anseios do público de forma parecida ou melhor.

Walter Longo categoriza essa habilidade de resposta com diferentes tipos de curiosidades: a diversiva (genérica e superficial), a empática (em relação à vida de outros) e a epistêmica (aprofundada e estratégica). Apesar disso, impressos e outras mídias convencionais ganham força com conteúdo analítico e de apuração mais minuciosa. Essa característica também estimula o questionamento de qualidade de conteúdo que permeia a internet, principalmente em tempo de ‘fake news’ e ruído consequente.

Andiara Petterle, vice-presidente de produto e operações do Grupo RBS, vê a ascensão da rede como uma grande oportunidade no ponto de vista de credibilidade. ‘Se por um lado temos um desafio enorme em razão da informação fragmentada, por outro temos uma chance de trabalhar o jornalismo profissional no ambiente digital. É uma porta de entrada para reinvestir em jornalismo’.

Segundo a ‘Pesquisa Brasileira de Mídia 2016’ da Secretaria de Comunicação Social (Secom), realizada pelo Ibope Inteligência, 59% dos brasileiros confiam sempre ou muitas vezes em notícias de jornais; 40%, de revistas; 54% de TV; e 57%, de rádio. No âmbito da internet, 20% confiam em informações de sites; 11%, de blogs; e 14%, de redes sociais. O levantamento, feito entre 23 de março e 11 de abril do ano passado, contou com mais de 15 mil entrevistas domiciliares com brasileiros.

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