Anúncio: 'Dicas para identificar notícias falsas'.

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Deu anteontem n’O Globo (P. 5) este anúncio assinado, ora veja, por Facebook, Abraji, Projor, ITS e Mackenzie:

Nós, aqui neste OCI, preferimos a livre tradução literal para ‘fake news’: ‘falsas notícias’. Como são muito mais mentiras que notícias, é natural que a palavras ‘falsas’ apareça logo de cara para denotar que notícias não são.

Ficamos surpresos com essas ‘dicas’:

  1. Desconfie das manchetes. Ora, sendo a manchete a única ‘criação’ que se permite ao jornalista, recomendar que dela se duvide pode acabar com a leitura do jornal já na capa.
  2. Verifique atentamente o link. A recomendação não é inteligível ao brasileiro médio (que não seja um ‘nerd’).
  3. Investigue a fonte. Como se pode pedir ao leitor que só confie em alguém ‘confiável’?
  4. Observe se a formatação é incomum. Como? Seriam erros ortográficos? Design duvidoso? Como o leitor vai diferenciar isto dos erros e mau gosto que a imprensa profissional lhe oferece todos os dias? E não são os próprios jornais que têm disfarçado ‘Informes Publicitários’ com outras denominações?
  5. Atenção com as imagens. Como? Desconfiando do uso de Photoshop? Talvez não sobre nada para ler. Gastar mais tempo checando fontes do que lendo? Checar não é função do leitor, mas – sim – do jornalista. Ou do editor.
  6. Confira as datas. Como, se a própria mídia ‘requenta’ matérias?
  7. Cheque as evidências. Está escrito ‘Verifique os elementos que sustentam a notícia’. Como o leitor brasileiro médio faria isto?
  8. Procure outras reportagens. Retrabalho? Perder duas vezes o mesmo tempo? Não devo acreditar mais na ideia de ‘furo de reportagem’, então, porque um assunto não saiu em outros jornais.
  9. A história é uma brincadeira? De novo, como o leitor brasileiro médio vai checar se algo é sério ou não?
  10. Algumas histórias são intencionalmente falsas. Ah… Não diga!

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