Newspaper x hyperlinks: a escrita precisa, clara e sucinta. Por Paola Carvalho.

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Linear, repetitivo, segmentado e previsível. Essas são as características que definem as ações de uma empresa, ou mesmo de uma pessoa, na era industrial. O processo tem uma sequência lógica, cada time faz sempre o mesmo pedacinho de um processo, dentro de uma linha pré-estabelecida. Ainda convivemos com o modelo econômico clássico, claro. Mas, ao mesmo tempo, estamos inseridos, querendo ou não, na era digital: não linear, multidisciplinar, conectada e imprevisível. Tudo junto e misturado, onde os currículos que atestam conhecimentos dão lugar às habilidades vivenciadas. Entre elas, a escrita.

Em tempos em que todos se auto-publicam e têm o seu próprio canal de divulgação, de redes sociais às plataformas de conteúdo, escrever tornou-se peça-chave do processo de se comunicar bem com o outro, de divulgar o que se faz.

Assim como a escrita criativa e storytelling podem ser alicerces para a construção de um texto, as técnicas jornalísticas também são, especialmente para quem busca uma comunicação precisa, clara e sucinta. O que é um artigo, um editorial, uma crônica, uma resenha, uma notícia? Como chegar a uma pauta, investigar, checar dados, entrevistar, estruturar a apuração e escrever? O que é um lide ou um nariz de cera? A história pode te conduzir na estruturação desse forte alicerce para você se comunicar bem e, para além disso, ousar.

A invenção da prensa de Gutemberg remonta aos anos 1450. Foi quando a palavra escrita começou a de fato se multiplicar. Ainda no século 15, governantes e igreja criaram os seus primeiros jornais, principalmente na Europa. No século 18, deslanchou nos Estados Unidos. No século 19, os escritórios tornaram-se grandes redações.

As letras chegaram ao seu auge na era industrial, o processo gráfico foi padronizado, assim como o texto do jornalista. A tal pirâmide invertida surge no início do século 20, definindo perguntas que deveriam ser respondidas no lide, ou seja, no primeiro parágrafo: quem, o quê, quando, onde, como, por quê? Nada de introdução, desenvolvimento e conclusão. Para fisgar o leitor, a notícia tem de estar logo entre as primeiras palavras.

Nos anos 1980, os anúncios passaram a representar mais de 70% da receita dos veículos de imprensa, reduzindo o espaço para a publicação de reportagens. Os manuais de redação ajudaram a resumir as informações para páginas cada vez mais ocupadas com marcas. O conteúdo jornalístico tornou-se, arrisco dizer, moldura para anúncios. Na virada do milênio, a internet ganhou fôlego, derrubando as limitações de espaço.

Os hyperlinks revolucionaram a forma como comunicamos, pois deu às pessoas a chance de influenciar a narrativa.

Seria o momento de grandes reportagens — sem limitação de linhas, caracteres, fotos e outros recursos imagéticos — retomarem a atenção dos leitores. Mas são tantas as informações disponíveis que, pelo contrário, é ainda cada vez mais complexo atrair essa vontade do leitor ler o que você escreveu, o mais básico que seja, um aviso necessário. Quem nunca se deparou com uma pergunta nos comentários cuja resposta estava na legenda do post? “As pessoas não lêem”, ok. Mas somos precisos, claros e sucintos o suficiente?

De acordo com uma pesquisa da Universidade de Stanford, as pessoas são capazes de guardar 10% do que lêem, 30% do que lêem e ouvem e 70% do que lêem, ouvem e interagem. A comunicação 4.0 vai ganhar mais apetrechos digitais, mas precisa também ganhar em qualidade de relacionamentos, empatia e abertura para o diálogo.

É um desafio do tempo das cavernas. Assim como a informação precisa, clara e sucinta é importante, ferramentas contemporâneas podem colaborar com esse processo de transformação da escrita, da busca pela informação e com o que queremos contar para o outro. São várias as teorias e as práticas que podemos lançar mão, como storytelling, golden circle, dialoguismo, teoria U, coolhunting, inbound marketing, outbound marketing, design thinking, thinking environment.

Eu sou uma jornalista que não se encaixa na geração X (dos nascidos entre 1965 e 1978), nem na Y (de 1979 a 1993, também chamados Milennials). Estou ali, entre os que nasceram no mundo analógico e, quando entrou para a faculdade, mergulhou no digital. Não que eu não mereça um rótulo. Sou uma Xennial — o nome vem da aglutinação do X com o sufixo da palavra Milennial —, nascida entre 1977 e 1983. Nesses quinze anos de trajetória no jornalismo, passei por redações de televisão, jornais e revistas, como Rede Minas, Band, Diário do Comércio, Estado de Minas, Folha de São Paulo, Jornal Metro e VEJA BH. Ganhei prêmios de jornalismo, como os do Sebrae, Crea, Apimec e Ministério Público de Minas Gerais. Fui finalista de outros, o Prêmio Abril de Jornalismo é um deles, por duas vezes na categoria política.

Técnicas de jornalismo e ferramentas contemporâneas para a redação de um texto é o tema de uma imersão que ofereço em Belo Horizonte. Hoje sou colunista sobre nova economia do jornal Estado de Minas, editora do portal GUAJA.cc, e fundadora da produtora de conteúdo Blank_Space.

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