Comunicação 'interna' para quê? Por Vivian Lopes.

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Quanto mais o empreendedor se comunica e transmite a essência do negócio aos funcionários maior será o empoderamento para inovação.

Depois de atender a quase 30 startups e empresas de tecnologia, educação, agronegócios, recursos humanos e atendimento ao cliente, notei que essas empresas eram mais carentes de comunicação interna do que externa.

Entendi que quando a comunicação dos donos/sócios ou gestores de pequenas e médias empresas com os demais funcionários/colaboradores/empregados não flui verdadeiramente, o que está na cabeça, no mundo ideal e fantástico dos empreendedores não vai chegar com a mesma intensidade ao âmago dos empregados. Alguns sintomas negativos aparecem (como ausência de propósito e engajamento), e o ruído na comunicação pode se transformar em crise.

Nos processos de assessoria de imprensa, por exemplo, muitos conteúdos de qualidade produzidos e divulgados estão diretamente ligados às estratégias de negócios da empresa e sobre os casos de sucesso obtidos entre clientes, porém apenas um pequeno grupo tem acesso a eles.

Se a informação estratégica não circula verticalmente, isolando continuamente a base operacional, a alimentação do senso de propósito estará sendo interrompida – às vezes intencionalmente, infelizmente. A consequência é a crescente desinformação sobre o que está acontecendo de bom e transformador (ou não) na empresa, seja com clientes, em mudanças ou ajustes na visão de negócio – que encontra-se na cabeça do empreendedor e que, às vezes, chega aos níveis de diretoria/gerência.

‘Muitas vezes não há maturidade para os funcionários acessarem e trabalharem com essas informações’ – pode afirmar um dado empresário… Sinto dizer, mas então você ou contratou profissionais inadequados à cultura da empresa, ou treinou e comunicou de forma ineficiente para esses ‘pupilos’.

As organizações do futuro e sustentáveis precisam ser enxergadas como filhos que precisam de educação contínua, e que entendam o motivo de estarem ali. A razão dos profissionais estarem empregados vai muito além de poderem pagar suas contas. Todos querem fazer parte de algo, pertencerem a uma ‘tribo’ que as represente de alguma maneira. Caso contrário, o turnover (índice de desligamento) vai se manter alto, dissipando conhecimentos, ou a inovação vai encontrar uma resistência monstruosa, travando qualquer tipo de modernização para acompanhar a constante (e rápida) evolução do mercado.

Se sua organização não transmite de forma contínua e eficaz informações assertivas sobre onde a empresa deseja chegar, os funcionários vão se sentir perdidos, e constantemente ávidos por um aval (aprovação) ou orientação dos donos/direção, afinal, nada (ou muito pouco) foi compartilhado com eles sobre a visão de longo prazo e mais ‘filosófica’ da empresa.

O que a sua empresa vende de verdade?

Por exemplo, quando vou cortar meus cabelos em um ambiente especializado não estou comprando apenas meus cabelos mais curtos. Compro beleza, bem-estar, confiança. Muitas vezes os donos estão tão mergulhados em processos que se esquecem de transmitir a seus funcionários o que estão vendendo de verdade. Quando isso acontece, os profissionais se perdem na real missão e propósito do negócio. Se esquecem da essência.

Com o tempo, os resultados são – pelo menos – queda de clientes e de poder competitivo. Mas… calma, é possível reverter a situação!

Ninguém hoje é contratado para apertar parafusos. Essa época já passou (ainda bem!). É preciso comunicar continuamente e envolver todos de alguma maneira na cocriação de uma nova forma de comunicação. Transmitir em diferentes canais para quê tais tarefas são necessárias. Ninguém pode ser realmente feliz sem uma missão maior, um propósito motivador. E isso custa caro às organizações que se negam a aceitar essa nova realidade.

Empodere seu funcionário a ser uma célula sua! Faça o teste com processos de comunicação bem estruturados, empodere seus colaboradores, e observe (meça!) os crescentes resultados.

Porém, essa atitude demanda muito cuidado na seleção inicial e treinamento adequado para entender o real motivo da sua contratação.

Replico aqui a afirmação (que deu vida ao livro homônimo) de Márcio Fernandes, CEO da Elektro, eleita por mais de 6 anos a melhor empresa para se trabalhar no setor elétrico: A felicidade dá lucro!

Vivian Lopes é fundadora da V. Content, assessoria de comunicação e marketing com foco em inovação e engajamento. Trabalha há 15 anos com comunicação empresarial e produção de conteúdo. Participou em 2017 do projeto do NAGI – Núcleo de Gestão da Inovação, oferecido pela incubadora Gênesis, da PUC-Rio, com apoio da FINEP – Financiadora de Estudos e Projetos do Ministério de Ciência e Tecnologia.

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