Quando empresas informam... mas isto não basta.

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Hoje, n’O Globo, a matéria “No ES, MP investiga construção de sede da estatal: com estimativa de R$ 90 milhões, obra entregue em 2012 saiu por R$ 580 milhões” apresenta o seguinte trecho:

“Na época da construção, a Petrobras informou que ‘o aumento no custo foi devido a reajustes contratuais considerados normais em obras desse tipo… o investimento seria necessário para atender a diversas inovações’.”

Íntegra da matéria de Bruno Dalvi (P. 8) – http://g1.globo.com/espirito-santo/noticia/2014/11/mpf-vai-investigar-obra-da-petrobras-que-custou-mais-que-o-previsto-no-es.html

COMENTÁRIO

Que tipo de obras? Do tipo em que se superfatura? Do tipo em que se fazem ‘aditivos’ à escondida?

Que inovações? Um telhado verde? A captação de água das chuvas?

Nada disso. Consta, apenas, que o projeto aprovado foi objeto de um “concurso nacional”, está localizado na Praia do Canto, uma das áreas mais nobres de Vitória, previu a compra de 90 mil metros quadrados de vidros de cor verde-esmeralda, tipo Low-E, na Bélgica (deve ser chique, afinal, é importado) e persianas da Itália e da França (idem idem chiques).

Nessa toada, basta contratar uma estrelada assessoria “de imprensa” e sair informando absurdos por aí, do tipo: “… a obra custou mais porque sim”, ou “inovação é algo caro…”.

Os veículos vão dar a notícia, algumas pessoas vão lê-la, ouvi-la, navegá-la; e a maioria da população – que pagou por todo tipo de inovação – vai ignorá-la.

Alguma coisa está fora da ordem quando informar só não basta…

É preciso agir responsavelmente antes. Neste sentido, a visão tradicional de RP – aquela da gestão da cidadania corporativa, (in Canfield) – recomenda que pelo menos um membro do board seja responsável por avaliar quais consequências sociais, comunitárias uma decisão pode acarretar.

Danos de imagem são pouco diante de gastos injustificáveis. Sobretudo quando se trata de dinheiro público – como neste caso, da Petrobras.

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